O futuro é agora #SemanaDosLivrosBanidos


Texto: Rovena Naumann

Lembro quando eu lia distopias antigas e me perguntava: Será que o futuro vai ser desse jeitinho mesmo?, sem nem perceber que sim, o mundo já caminhava por aquele caminho. Quando paro para pensar em todas as previsões que os livros fizeram, sinto um pouco de medo. Se antigamente eu me perguntava o que era necessário acontecer para o mundo ficar daquele jeito, hoje me pergunto o que precisamos fazer para evitar que a situações piore.

Livros distópicos e de ficção científica sempre nos mostraram guerras que seriam capaz de destruir países e dizimar uma população inteira. Doenças que matariam quase todas as pessoas do mundo, deixando aquelas poucas que sofreriam com os recursos escassos. Imposição de um pensamento e comportamento únicos, massacrando aqueles que ousassem agir ou pensar de uma maneira diferente do resto. Livros que mostravam que o mundo poderia ser um lugar muito pior e era só uma questão de tempo.

E é claro que essas ideias “pessimistas” não poderiam chegar na população, afinal todos deveriam achar que tudo o que acontece é um forma de proteção. Se estamos te proibindo de fazer algo, acredite que é para o seu bem, porque coisas horríveis existem por aí. Nós só estamos preocupados com a sua segurança. E foi mais ou menos com essa ideia que vários livros começaram a ser banidos nas livrarias e escolas dos Estados Unidos, entre eles, distopias e ficções científicas. Livros que poderiam ajudar o povo a mudar o seu presente. E os motivos para banir esses livros são sempre péssimos. É como se estivessem falando para as pessoas se conformarem com a situação, porque uma mudança seria impossível.

Mas se Katniss Everdeen nos ensinou alguma coisa, é que toda revolução só precisa de uma faísca para começar.

É interessante – e assustador! – ver que a maior parte dessas histórias têm um governo totalitário e autoritário que quer controlar todos os passos e pensamentos de seus cidadãos. E todos esses governos geram preconceitos com aqueles que são diferentes do resto, coisa que acontece hoje em dia. Temos candidatos a presidência incitando discurso de ódio contra minorias e milhares de pessoas que os seguem cegamente, acreditando que aquela é a única verdade existente.

Livros como 1984 (George Orwell, 1949) e Fahrenheit 451 (Ray Bradbury, 1953) mostram uma sociedade completamente dominada pelo seu governo, onde os cidadãos não têm direito a um pensamento único ou a ter uma individualidade. Todos ali funcionam como “robôs”, seguindo as imposições dos governos. No primeiro, eles são observados pelo Grande Irmão, que tudo vê. No segundo, bombeiros queimam casas se ali encontrarem livros. Sim, no romance de Bradbury é proibido ter livros. Nas duas histórias, o povo só tem acesso a informação que vem do governo, transmitida por televisões espalhadas pela cidade. O que vem de fora é ruim e perigoso. O certo mesmo é acreditar nas palavras daquele que te oprime.

É estranho e engraçado observar que, hoje em dia, querem fazer com esses livros a mesma coisa que a história conta: eliminar a leitura de algo considerado perigoso para garantir que todos não tenham acesso à todos os tipos de informações e tirem suas próprias conclusões.

Mas não são apenas os clássicos que são banidos. Os YA, que nós consideramos inofensivos e necessários para o mundo, também são vistos como perigosos para algumas pessoas. O doador (Lois Lowry, 1993) e a trilogia Jogos Vorazes (Suzanne Collins, 2008), livros extremamente amados por jovens e adultos de várias partes do mundo, são banidos porque algumas pessoas acreditam que as histórias são muito violentas e têm temas que não são adequados às idades dos seus leitores.

Mas, nós sabemos que são esses assuntos pesados e “polêmicos” que ajudam a melhorar o conceito que temos do mundo. Reconhecemos nas histórias traços da nossa própria comunidade. Enxergamos na Panem de Katniss uma desigualdade e preconceito que está bastante presente na nossa sociedade. São essas histórias que abrem os nossos olhos e nos motivam a lutar por algo melhor para todos, porque todos têm os mesmos direitos. Em uma sociedade justa todos são iguais. E são esses ideais que precisam entrar desde cedo na cabeça das pessoas.

Cada vez que um livro é banido, não importa o motivo, a segregação continua. A leitura é o que move a sociedade e o mundo. A leitura é o que nos faz crescer. Seja um rebelde e leia um livro banido.

 

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Sobre Rovena

Rovena é de Vitória, formada em Relações Internacionais e atualmente cursa Letras-Inglês. Gosta muito de ler e ouvir música enquanto escreve. Grifinória, feminista e especialista em tretas do blink-182. Está no twitter (@rovsn).