“O Finado Sr. Gallet”, Georges Simenon


Texto: Priscilla Binato

Eu sou apaixonada por livros de mistérios policiais. Se tem um investigador, um crime difícil e reviravoltas no meio da narrativa, então eu estou dentro. Por isso que eu peguei O Finado Sr. Gallet do Georges Simenon para ler (Goodreads). Como no tipo de mistério policial que eu tanto gosto de ler, nesse livro nós encontramos um grande mistério. Há um homem morto em circunstâncias complexas e tudo nele cheira a incorreto. O caso de Émile Gallet me deixou tão presa no livro quanto deixou o Comissário Maigret, o principal das histórias de Simenon. Como é dito na própria contra-capa do livro:

“Todas as circunstâncias da morte do sr. Gallet parecem falsas: o nome que usava durante sua última viagem, sua presumida profissão – abandonada em segredo dezoito anos antes – e, sobreduto, a dor de seus familiares.”

Do mesmo jeito como esse tipo de literatura me deixou apaixonada pelos livros de Agatha Christie e por outros livros dentro desse estilo, o mistério da morte de Gallet me deixou intrigada. Era um homem cujo trabalho parecia não existir há anos, que viajava por meses e a família não fazia a menor ideia de onde ele estava. Ele também era um homem que ganhava dinheiro sem ninguém saber como, sua vida era um grande mistério. Mas, além disso, sua família também era uma incógnita. Os três suspeitos do crime, outras incógnitas.

O jeito como eu estou falando pode parecer um pouco desanimado, mas a realidade é que apesar de ter adorado a premissa e adorar casos de mistério, eu não gostei muito desse livro em específico. Falta alguma coisa na história, falta um brilho em tudo o que acontece. Mas eu acredito que isso se dá principalmente pela falta de profundidade que abrange o investigador. O Comissário Maigret, para mim, era uma incógnita no começo do livro e continuou um grande questionamento no final. Eu via ele tomando decisões e eu não conseguia entender porquê ele tomava aquelas decisões, já que o livro não me dava quase nenhuma informação sobre como ele pensava.

Isso fez com que o livro se tornasse um pouco chato e acabou fazendo com que eu demorasse muito mais do que deveria para terminar. Faltou a criação de um vínculo entre o detetive, o caso e o leitor. Faltam os detalhes na trama que fazem com que o leitor sinta que a conclusão do trabalho do detetive não aconteceu pela sua investigação, mas por causalidade. Talvez isso seja um efeito de ler um livro da série sem ler os outros livros,alguma coisa assim. O caso, apesar de fascinante, se tornou maçante, se tornou um livro que eu tinha que ler somente para terminá-lo. E quando acabou, eu não me diverti com ele.

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Sobre Priscilla Binato

Uma carioca de coração, 21 anos completos em janeiro e gateira como profissão (ou ao menos um sonho). Estudo jornalismo e estou quase me formando, mas tenho aspiração de escrever como profissão. Detesto sushi, pizza, Senhor dos Anéis, Game of Thrones e muita coisa que todo mundo acha legal, to nem aqui. Sou lufana de coração e de alma, 100%, além de feminista, assexual e chata do rolê.