O fim do mesmo


Dizem que a repetição leva a perfeição. Essa fala na maioria das vezes serve como inspiração para as pessoas. A não ser quando a repetição adquire o tom de rotina.

Essa palavra rotina, na maioria das vezes, é vista como algo desestimulante, algo chato, maçante. E a rotina mais famosa é aquela do ritual “de casa para o trabalho, do trabalho para casa”.

Mas, quanta beleza pode existir dentro de cada rotina da nossa vida?

A rotina da nossa vida laboral, por exemplo…

Você já parou para pensar quantas pessoas cruzam o seu caminho por dia? Pessoas diferentes, cada uma com a sua história de vida. Cada qual com o seu modo particular de enxergar a realidade.

Preste atenção em quantos diálogos seus ouvidos podem captar em uma simples caminhada até o trabalho. O número incontável de histórias, cada uma com o seu desfecho que pode fazer você aguçar a sua imaginação, já que você não pode chegar ao final de cada história.

E a bela rotina familiar?

O almoço de dia dos pais, o banquete de dia das mães, a ceia de natal, o almoço de domingo, os aniversários… (…)

Nenhuma crença religiosa, nem nada nesse mundo vai conseguir explicar a confusão que existe dentro do seu corpo quando você está em uma reunião familiar rotineira. Seu senso de “atualidade” manda você procurar algo melhor pra fazer, porém dentro dos seus sorrisos de canto de boca esconde-se uma alegria inexplicável de estar naquele lugar.

O maior triunfo da rotina, porém, é a frase: “Nosso relacionamento caiu na rotina”.

Sinceramente, nunca pude entender esse tipo de situação. Sempre achei uma desculpa esfarrapada.

Afinal, o que é rotina?

No dicionário podem-se encontrar vários significados como: costume antigo, hábito de fazer as coisas sempre da mesma maneira, maquinal ou inconscientemente, relutância contra o que é novo.

Então como alguém pode, dentro de um relacionamento, fazer as coisas do mesmo jeito sempre? Como alguém briga tanto com as novidades?

Não dá pra você exigir de uma pessoa a espontaneidade do voo de uma abelha todos os dias. Entretanto, perceba como é divino o fato dessa pessoa, que vai todo o domingo à noite pra sua casa com um filme alugado nas mãos, escolher fazer com você a mesma coisa que fez semana passada ao invés de fazer algo diferente com uma das sete bilhões de outras pessoas nesse mundo.

Se adicionarmos paixão a rotina ela deixa de existir. E de repente aquele domingo a noite de filmes que começou com “Frankly, my dear, I don’t give a damn” pode terminar com um “I’m gonna make him an offer he can’t refuse.”

 

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davidhist92@gmail.com'

Sobre David

David é um professor de História que divide a sua vida em estudo, trabalho e diversão, necessariamente nessa ordem (mentira). Curioso e admirador da cultura urbana popular. Como bom carioca, ele gosta de se misturar em todo lugar que vai.