Nos momentos mais simples


Rotina. É uma palavra que assusta tanta gente, não é? Tem gente que se orgulha por dizer que seu trabalho não fica preso a uma rotina, ou então que seu namoro está firme até hoje porque vocês não o deixam cair na rotina. Mas qual é o grande medo em deixar as coisas caírem na rotina? A mesmice? A mesmice assusta tanto assim?

Na verdade eu não tenho muito medo da mesmice. Ela cansa, eu sei, mas não tenho medo dela. Talvez seja pelo fato de eu estar presa a uma – acordar cedo todos os dias quando eu estou em período de aulas, voltar pra casa de ônibus, almoçar sem muita vontade (porque eu normalmente não sinto fome), estudar o que eu vi durante a manhã à tarde, enrolar um pouco, tomar meu banho e tentar descansar. Daí aos sábados eu acordo nove e pouca, como, saio com os meus pais pelo resto do dia pra chegar no domingo e estudar alguma coisa que não deu tempo de ver durante a semana. Essa é minha rotina desde que eu me lembro, na verdade. Eu olho minhas agendas de todos os anos e vejo as coisas que eu fiz e elas normalmente não mudam muito. Mas sabe o que é mais legal quando eu olho pra trás e vejo que minha vida parece estar na mesmice? É que ela não está. Ora, estou fazendo as mesmas coisas, como ela pode não estar?

Uma coisa que eu aprendi com esses anos de mesmice é que ela é a única segurança que eu tenho sobre o meu futuro. Eu ainda não sei o que quero fazer daqui em diante e apesar de não estar no nível do “compro uma bicicleta ou me caso?”, sei que essa incerteza toda que me cerca pelo menos uma hora vai se resolver. E sabe por que eu tenho essa certeza? Porque a “mesmice” da rotina me ensinou que mesmo que todas as coisas mudem de cabeça pra baixo, como várias vezes aconteceu comigo, não vão transformar quem eu sou ou quem eu amo. As minhas incertezas vão aumentar ou diminuir, mas elas fazem parte da vida, fazem parte de quem eu sou e farão parte do meu futuro, independente dos meus erros ou acertos.

E mesmo que eu olhe para trás e veja tantas coisas que se repetiram, eu consigo deixar a minha agenda lotada de anotações de coisas importantes que aconteceram. Porque eu acho que a felicidade não é simplesmente passageira, que vem num momento mágico e depois vai ficar pra sempre na sua memória. Claro que muitas coisas felizes que nos acontecem vêm dessa forma, mas a felicidade duradoura é aquela que encontramos nos momentos mais simples das nossas vidas – é naquela sobremesa especial que você comeu durante a semana, é naquela piada que você ouviu de um amigo enquanto procrastinava, é aquele abraço que você deu na sua mãe quando achou que seu mundo estava o caos… A felicidade que eu mais gosto de sentir é essa que eu descubro nos momentos mais inusitados das coisas que eu vivi, principalmente porque eu sei que enquanto eu estou vivendo a minha rotina, eu vivo de cabeça erguida e com vontade de vivê-la.

A rotina não precisa ser o monstro que as pessoas falam tanto. E ela também não precisa ser só aqueles momentos de êxtase que os fanáticos pela felicidade encontram de vez em quando. A felicidade da vida está em viver de acordo com quem você é e com as suas escolhas que te levem a pensar que você será mais feliz. Alguém uma vez disse que a felicidade não é o fim, e sim o caminho, e eu concordo totalmente com essa pessoa. Aliás, nunca essa frase fez tanto sentido pra mim como está fazendo agora – e tudo porque eu estou fazendo uma coisa que eu amo fazer e me deixa feliz.

Esse texto é uma colaboração. Mande a sua!

 Tatiana Leite de Souza, que também pode ser encontrada no twitter @tatitaleite

 

 

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