“Ninguém vira adulto de verdade”, Sarah Andersen


Texto: Lorena Pimentel

Sarah Andersen e eu infelizmente não nos conhecemos, porque se nos conhecêssemos seríamos melhores amigas.

Cartunista, Sarah criou a página Sarah’s Scribbles, onde ela posta quadrinhos sobre a vida adulta, criatividade e nossas constantes falhas em tudo isso. Você provavelmente já viu algumas das tirinhas delas postadas por aí, falando sobre autoestima, crise dos vinte e poucos anos e dramas existenciais de todos nós.

Em “Ninguém vira adulto de verdade” (publicado aqui no Brasil pela Seguinte), estão reunidas diversas destas tirinhas que poderiam ser autobiográficas minhas. Isto é, se eu tivesse talentos artísticos e a dedicação de Sarah, mas esse não é o ponto.

Eu tenho feito uma escolha de ler mais não-ficção e mais livros escritos por mulheres em 2016 e parte do motivo é que a gente sempre acha uma forma de se identificar. Ainda que a vida da autora seja diferente da nossa, as experiências podem soar semelhantes e trazer aquele riso nervoso de identificação, certo? Pois é, nesse livro a leitura inteira é acompanhada de risos nervosos de identificação. É desse tipo de livro que estou falando.

As crises que a Sarah ilustra têm tudo a ver com a nossa geração: é aquela preguiça de fazer networking, a vida de introvertidos em um relacionamento sério com Netflix, não saber lidar com tarefas da vida adulta, ser marcado em fotos feias nas redes sociais, etc etc. Os assuntos vão dos mais sérios, como realização pessoal e profissional, aos mais fúteis como tirar boas selfies. E é assim que o livro se torna uma representação tão boa da vida de tanta gente: coloca todas essas crises no mesmo barco. Sim, você pode ser uma pessoa de sucesso no emprego e sofrer de síndrome do impostor por se achar uma fraude e ao mesmo tempo se sentir vitorioso porque arrumou o apartamento.  Todas essas coisas são importantes de sua forma e facetas de quem somos.

Tem uma razão para a página da Sarah ter tanto successo por aí e é justamente essa facilidade que a gente tem de encontrar nas ilustrações dela coisas que se repetem no nosso cotidiano. É aquele tipo de humor autodepreciativo que nunca perde a graça.

E aí o livro é uma extensão disso. É ter ali com você, de uma vez só – porque olha, é do tipo que você lê de uma vez – todos esses sentimentos e rir sozinho enquanto tenta escolher que página é mais ‘você’ pra postar no instagram. Se você é uma pessoa de vinte e poucos anos sem saber muito bem como lidar com a vida, pega ele pra ler e tenha a Sarah Andersen como sua amiga hipotética também.

 

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Sobre Lorena Pimentel

Paulistana que preferia ter mar, entusiasta do entusiasmo, Grifinória com medo de cachorros, defensora de orelhas pra marcar livros, não gosta de açúcar, colecionadora de instagrams com fotos de bebês, oversharer no twitter (@lorebpv) e uma eterna vontade de ter nascido Rory Gilmore.