Nhozinho, o artesão desconhecido da cultura maranhense


Texto: Sandra de Cássia // Foto: Governo do Maranhão

Em outubro do ano passado, em uma viagem de férias para São Luis no Maranhão, tive uma grata surpresa com a cultura maranhense e suas características bem próprias e encantadoras. Em um dos passeios por ruas, histórias e museus encontrei o museu de cultura popular Casa de Nhozinho.

Mas, assim como muitas pessoas, eu não sabia quem era o Nhozinho.

Na Casa, aberta ao público todos os dias e de acesso gratuito, eu descobri que o casarão, dividido em três andares, data do início do século XIX e mantém praticamente a mesma estrutura original. No primeiro e segundo andares há um acervo com exposições de diversos artistas maranhenses e objetos tradicionais do Maranhão, como bonecos usados no carnaval e artigos de outras festas típicas.

É no último andar que estão as obras de Nhozinho. Suas ferramentas, seus trabalhos tão importantes para a cultura maranhense.

Antônio Bruno Pinto Nogueira, o Nhozinho, nasceu 17 de maio de em 1904, no povoado de Bacuripanã, município de Cururupu/Maranhão, e faleceu 23 de maio de em 1974 em São Luís. Mesmo portador de uma doença degenerativa, que ao longo dos anos limitou seus movimentos, deformou suas pernas e braços, e posteriormente afetou sua visão do olho direito, Nhozinho desenvolveu o seu trabalho como um dos mais importantes artesãos da região e se destacou pela constante representação da festa do bumba-meu-boi em miniaturas feitas de buriti (palmeira nativa da região).

Nhozinho também ficou conhecido pelas habilidades na talha de outros objetos também em buriti, pela confecção de diversos objetos como barquinhos, carrinhos de boi, diversos brinquedos, caixinhas de costura (inclusive para a empresa Singer), e miniaturas de animais e pessoas, por desenvolver suas próprias ferramentas e por fazer sua própria cadeira de rodas, que também pode ser considerada um carrinho, adaptada às necessidades do seu trabalho e de sua locomoção.

A delicadeza, a riqueza e a importância de seu trabalho persistem até hoje como retrato da cultura maranhense, tão rica e diversa, as miniaturas das mulheres rendeiras, os personagens do bumba-meu-boi e tantas outras personagens importantes para a cultura popular.

Nhozinho superou dificuldades físicas e financeiras, trabalhou até o fim dos seus dias para nos deixar a lindeza de seu trabalho, a representação da riqueza cultural maranhense de uma forma singular.

Mas confesso que me bateu uma tristeza ao voltar de viagem, tentar pesquisar sobre o artesão nos sites de busca e perceber que ele é pouquíssimo conhecido, principalmente fora de São Luís. Assim como tantos outros artistas brasileiros, Nhozinho não é reconhecido como deveria, apesar desse trabalho aparentemente simples, porém profundo e importantíssimo que vale à pena conhecer e divulgar.

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