‘Never have I ever’, Katie Heaney


Você sabe o que é a geração floco de neve? Pois bem: é a geração de pessoas que tem certeza de que nasceu especial e de que o mundo tem mais é que dar valor a elas. Tudo bem ficar sentado esperando a magia acontecer: vai dar certo, afinal de contas, elas não nasceram para ser um qualquer.

Da mesma forma, na sociedade de exibição em que vivemos, todo mundo que consegue fazer algo um pouquinho diferente do normal já tem certeza de que é a última bolacha do pacote… e que tem todo o direito de sair contando esses feitos por aí.

Junte esses dois fatores com o detalhe de que a literatura, ultimamente, virou moda. Nós achamos ótimo e totalmente democrático que haja todo o tipo de livro nesse mundo, para qualquer tipo de público e, é claro, para qualquer tipo de fã.

Onde eu quero chegar? Vamos juntar tudo o que eu disse até agora: todo mundo tem certeza absoluta que sua vida é interessantíssima e especial, quer exibir os próprios feitos e lança livro para isso. No meio de biografias de Justin Bieber e Lena Dunham, por exemplo, fica muito difícil se contentar com a própria vida. Agora, e sobre quem tem coragem de dar a cara pra bater e lançar suas experiências de vida um tanto quanto azaradas em um livro comum?

Katie Heaney fez isso brilhantemente em Never Have I Ever que está tão out of topic que eu jamais teria contato com a obra não fosse minha amiga achar uma lista de recomendações do Buzzfeed que citava esse livro. Devorei. E numa edição com o tema mulheres, não poderia deixar de falar sobre o assunto.

Never Have I Ever, my life (so far) without a date é o título completo da divertida biografia onde Katie narra suas histórias de amor que simplesmente não vão para frente. Aos 25 anos ela conta, de cara limpa e com uma boa dose de leveza, que não teve sequer um namorado na vida e na verdade não se lembra nem de ter tido um segundo encontro.

Do jardim de infância até sua pós graduação, acompanhamos as tragédias emocionais da moça com os garotos sem que ela se faça, em nenhum momento, de vítima da sociedade ou de exemplo de alguém superior. Muito pelo contrário: ela disse que só escreveu a história da sua vida porque sabia que não estava sozinha e que muita gente ia gostar de ler e se identificar.

Em um momento universal onde todos querem ser especiais o tempo todo e se destacar pelos seus maravilhosos feitos, Katie merece aplausos pela sua coragem de expor o seu não-conto-de-fadas em um livro com o intuito sincero de mostrar para as pessoas eternamente solteiras que isso existe; que elas não estão sozinhas; que ainda assim dá para sonhar com o final feliz. Ainda não entenderam totalmente a parte dela ser corajosa? O mundo julga as mulheres o tempo inteiro. Julga as mulheres solteiras: encalhadas, não conseguem arrumar homem!. Julga as mulheres que querem muito um amor: desesperadas! só querem saber de homem!. Nada é tão preto no branco, é difícil pra caramba estar nessa posição de alvo de pensamentos machistas e idiotas E ela bancou tudo isso. Katie deu a cara a tapa. Que mulher.

De quebra, o livro garante boas gargalhadas, doses de esperança e aquele sentimento sincero de torcer muito por alguém (duvido que você consiga ler a obra toda sem se pegar fazendo figa para que algo dê certo para ela).

 

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Sobre Analu

Começou a ler aos 4 anos e nunca mais parou. Hoje tem 23 anos, é formada em jornalismo, continua devorando livros e passa o dia querendo escrever.

  • Ana Flávia Sousa Silva

    Adoro buscar dicas de livros suas.
    Acabo saindo da minha zona de conforto sempre. <3

  • AI ESSE LIVRO <3