Nesse Halloween, “Pânico” está no ar


Texto por: Maria Raquel, Maynnara Jorge e Rovena Naumann

 

“Hello, Sidney.”

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May: Esse talvez seja o melhor inicio de discussão sobre esse filme maravilhosamente trash que é Scream (Pânico, 1996).

Rovs: Quem nunca ligou pros amigos e falou isso quando eles atenderem o telefone, né.

MR: Toda hora que eu vejo falarem “Hello, Emma” na série fico esperando que ao invés de Emma diga Sidney hahaha

May: Uma coisa que eu amo desse filme é como eles brincam com os clichês de filme de terror e como eu no auge dos meus poucos anos virei especialista em “ele vai aparecer atrás dessa porta agora” hahahaha

MR: Ou então “não pega essa faca, carai, ele vai usar contra você mesmo!!”

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Rovs: SIM!!! Pânico já preparou a gente pra tudo que poderia vir (e tudo que veio antes também, caso esse tenha sido um dos primeiros filmes do gênero que assistimos. Como foi o meu caso)

May: Eu adoro que mesmo ele ter sido um dos principais filmes de serial killers dos anos 90, ele também já trazia um pouco do perfil dos personagens, tipo “casal que se pega e morre logo no começo” “A sobrevivente, que quase vai morrer, mas sobrevive várias vezes” e isso tudo ainda era um pouco novo, apesar de hoje em dia ser algo clichê e batido.

MR: Sim! Eu vi esse filme faz pouco tempo. O primeiro que tive contato do gênero foi “Eu sei o que vocês fizeram…” e todos esses arquétipos já estão lá. Acho que Pânico foi icônico também porque tem adolescentes sendo perseguidos por psicopatas numa década em que tudo era voltado pra adolescentes. Beverly Hills 90210 estava fazendo o maior sucesso na época, e essa parada de “adolescentes são fúteis” dá um clima pro filme que não é bem de terror…

May: Nossa, sim!!! Eu acho que os filmes de terror são um ótimo exemplo da cultura da época, por exemplo, hoje em dia a maioria dos filmes de terror são sobre acontecimentos paranormais e a visão de família e naquela época eles eram realmente voltados para adolescentes com pouca supervisão dos pais que estavam claramente se ferrando sempre por serem imaturos hahahaha

Rovs: Team assassinato/serial killers! Mas é verdade isso de cultura da época. Eu ainda prefiro muito mais os filmes da década de 90. Não sei explicar o porquê (além de eu não gostar de filmes de espíritos e tal), mas acho que a vibe era outra completamente diferente. Era uma vibe de filme adolescente mesmo, só que com sangue e mortes.

MR: Sim, isso que ia falar. A vibe desses filmes não são de terror. Tanto que a própria fotografia deles não é super escura como os filmes de terror de hoje, é clara e sol, e ~casa de revista. Fora o ambiente da escola e as coisas bem adolescentes que acontecem na vida deles. Mesmo a série remake perdeu um pouco disso com essa moda de série de drama ter que ser escura…

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May: Eu acho que hoje em dia é um foco de terror psicológico, uma ambientação pra pessoa ficar tensa o filme inteiro e os filmes dos anos 90 eram mais pra você levar susto mesmo, você meio que já sabia o que ia acontecer, mas ainda levava aquele susto quando o assassino aparecia.

Rovs: Até hoje levo susto com Pânico. Não superei e nunca vou superar, apesar de já ter visto várias vezes.
Mas é, acho que hoje em dia tem essa vibe mesmo, o que eu acho um pouco triste, porque eu não me sinto atraída por esses filmes. E Pânico (e os outros filmes dessa época) eram histórias de assassinatos no meio de uma viagem da turma ou no meio da prom, o que parecia mais real? Não sei.

May: É que eu acho que quando o que você tem medo é uma coisa que parece mais plausível de acontecer (alguém próximo de você surtar e matar seus amigos) do que você pensar que algo sobrenatural pode te afetar. É mais fácil você se identificar com os personagens assim.

Rovs: É verdade.

MR: Isso é uma coisa que o personagem Noah da série fala. Eles mostram a vida dos adolescentes pra você se apegar aos personagens. E quando eles morrem você sente alguma coisa. É uma realidade muito mais perto da nossa. É como se você estivesse assistindo Law & Order, por exemplo. (Depois que eu vejo L&O sempre fico meio neurótica quando ando na rua.)

May: Sim! Eu sou super viciada dos true crimes e séries/filmes sobre isso e sempre consigo me sentir próxima da vítima (mesmo ela sendo idiota em vários momentos). Eu acho que esse filme sempre vai ser algo que vou gostar, porque por mais ruim que seja, ainda é algo que me fez ser a louca dos filmes de terror, afinal eu vi quando eu era muito nova e foi um pouco divisor de águas pra mim hahaha

Rovs: Eu vi quando era bem nova também, uns 11 anos, eu acho. Todo mundo morria de medo e eu também, mas um dia tomei coragem. Foi uma boa experiência, mas não podia ver aquela máscara que saia correndo.

May: Eu acho que talvez por isso ele ainda faça sentido num contexto atual. Eles conseguiram fazer um remake 20 anos depois que ainda é relevante pra gente. Sempre fico naquela de “nossa, esse filme é péssimo,mas amo” e a série realmente me conquistou, porque conseguiu adaptar um clássico da minha infância pra algo atual e possível.

Rovs: Exatamente, May. Eu sempre penso a mesma coisa, que é um filme ruim, mas eu não consigo mudar de canal quando tá passando. Marcou muito, né? É realmente uma referência de filme de terror. E às vezes eu até falo “Pânico nem é terror”, mas tô lá tampando os olhos pra não ver cenas sangrentas.

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MR: Eu já acho que é um filme bom, tanto na parte do terror quanto do roteiro porque você fica imaginando todos os personagens sendo o assassino, até a Sidney, menos os que são. Não sei de onde que foi associado que é um filme ruim além do estigma de filme adolescente. Acho excelente mesmo.

May: Eu acho que hoje em dia eu acho ruim porque é algo clichê e previsível, mas ao mesmo tempo não, né? Porque quando eu vi a primeira vez eu não conseguia saber quem era o assassino, mas acho que comparando com outras coisas hoje em dia eu fico achando tosco. Parando pra pensar no que você disse, meu eu de uns 8 anos achava incrível hahaha

Rovs: Acho que eu fico pensando muito nas continuações? Talvez elas atrapalhem um pouco o que eu penso do primeiro filme. Mas é o que a May disse, é algo clichê e previsível, mas ao mesmo tempo não. E mesmo se for, deu certo, né? Quero dizer, eu digo que é ruim mas continuo assistindo toda vez que passa e tenho todas as reações que eles querem tirar das pessoas.

MR: Eu vi esse filme agora, então pra mim acho que não tinha tanto de ter visto muito. Acho que por isso que é tão popular também, porque na época o que hoje é clichê, não era. Pra mim esse filme que deu base pro outros e aí vieram os clichês, mas Pânico foi meio que pioneiro em misturar terror de serial killer com ambiente da escola/adolescentes sem supervisão paterna.

May: Acho que chegamos a conclusão que esse filme na verdade é algo que recomendaríamos para amigos, então, na opinião de vocês qual é o melhor motivo pra colocar esse filme na lista pro Halloween?

MR: Pra mim seria os muitos sustos. Acho que o principal do filme de terror, pra mim, é que eu saiba que vou me assustar, saiba o que vai acontecer, e mesmo assim me assuste. Fora ficar falando pros personagens pra eles não fazerem tal e tal coisa hahaha

Rovs: Eu recomendaria pelos muitos sustos, sangue e pela vibe adolescente que é maravilhosa e só os filmes da década de 90 sabiam passar. É um filme meio feel good, mesmo, apesar da temática “violenta”. E não importa se é trash ou não, Pânico já é um clássico e todo mundo precisa ver esse filme pelo menos uma vez na vida.

May: É isso, esse foi mais um Maria, Rovena e Maynnara não sabem comentar nada sem textão com dica de filme para aproveitar o Halloween hahaha.

“Até logo, Sidney”

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