Não é só uma ilusão para nós – Editorial #15


Texto: Milena Martins e Lorena Pimentel

Se você olhar ao redor, vai perceber que é normal ser cínico. É normal deixar de acreditar, deixar de se envolver em histórias, de formar laços com pessoas novas. Mas não é fácil. É aquela velha história de duvidar de tudo que a gente lê, de abrir o jornal e achar que estamos vivendo o apocalipse, que tudo vai dar errado mesmo e não há nada que não possamos fazer.

Quando escolhemos ilusão como tema de fevereiro aqui na Pólen, estávamos pensando nisso também: em todas as que tivemos. Quando nos disseram que era preciso ter vocação para seguir nossos hobbies, quando imaginávamos nosso futuro na faculdade ou no mercado de trabalho, a farsa do “amigos para sempre” ou “felizes para sempre”. Não dá pra gente negar que é difícil não se sentir desiludido e frustrado quando isso acontece, certo?

Mas também há motivos para acreditar, mesmo que isso soe como propaganda de refrigerante, e nós já aprendemos isso também. Se envolver em uma história, por exemplo, coisa que a gente faz aqui todos os dias, é suspender a descrença e seguir em frente. Se envolver em um relacionamento, romântico ou não, é sentir força na ilusão de que uma pessoa não vai te decepcionar. Planejar seu futuro é criar uma ilusão, porque nada nunca é o que a gente planeja. E está tudo bem, porque tem horas que a gente precisa das ilusões mesmo. Para nos guiar, nos entreter e talvez até para nos manter seguindo em frente.

Ilusões podem ser perigosas, principalmente quando nascem de mentiras cruéis. Mas esse mês queremos olhar de um jeito um pouco diferente. Queremos entender a força desse verbo complicado: acreditar. Queremos nos tornar sonhadores e românticos incorrigíveis. Queremos acreditar que algumas coisas podem simplesmente acontecer da melhor forma possível, que tudo pode dar certo.

É uma vida muito difícil essa de não conseguir escapar do ceticismo. Parece que nascemos tarde demais, as coisas já se mostraram cruéis e não temos mais a habilidade de simplesmente esperar o melhor cenário possível. Mas em fevereiro vamos tentar resgatar isso. Vamos nos colocar à disposição das ilusões que nos trouxerem essa vontade de seguir em frente e fazer o melhor cenário possível acontecer.

Feche os olhos ao final desse texto. Imagine o que você gostaria de ver ao seu redor. O que você gostaria de fazer? A quais hobbies você gostaria de se dedicar mais? Que vida você gostaria de viver? Em que mundo você gostaria de viver? Agora abra os olhos e perceba o quanto você pode fazer pra transformar essa realidade fria. Porque você pode.

Em fevereiro, não vamos negar nossas ilusões. Vamos acreditar na força delas. Vamos tentar aprender alguma coisa com elas. E vamos seguir em frente.

 

 

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