“Na Porta ao Lado”, Luiza Trigo


Quando pensamos em independência, pensamos também em crescer. Nós conquistamos mais independência quando damos os primeiros passos, quando aprendemos a dormir sozinhos, quando nós vemos, sozinhos, diante do nosso primeiro dia de aula. Quanto mais crescemos, mais independência vamos adquirindo. Aprendemos a lidar com os nossos sentimentos sozinhos, a fazer as nossas próprias escolhas. E é na adolescência em que o nosso sentimento de independência bate de vez; nós saimos de baixo das asas de mamãe pássaro e tentamos pular para fora do ninho. Falar de adolescência, falar de crescer, é falar de independência no seu estágio mais intenso.

Foi assim que eu resolvi ler “Na Porta ao Lado” da carioca e blogueira, Luly Trigo. Teoricamente, tinha comprado o livro com intuito de conhecer melhor a literatura juvenil brasileira e confesso que escolhi o livro pela capa. Acho os desenhos da Irena Freitas maravilhosos, ela é uma grande inspiração pra mim como ilustradora. Aquele traço fofinho e cheio de personalidade, do tipo que você olha de longe e sabe que foi ela quem fez. Mas assim percebi que o livro era uma história, na verdade, sobre uma menina de 15 anos conquistando a sua própria independência.

Na Porta ao Lado é um spin-off de Meus 15 anos, o primeiro livro da “série” escrita por Luly Trigo. A moça da livraria me certificou que eu não precisaria ler o primeiro antes desse (ela estava certa, apesar de ter algumas menções durante o livro da tal festa de 15 anos que aconteceu no livro passado). Nós, então, acompanhamos Carol, uma menina que acaba de entrar no ensino médio e que está passando, ao mesmo tempo, por várias mudanças estruturais de casa: sua mãe está casando e se mudando junto com o  novo marido. Pra além do estresse que isso já deve causar (afinal, Carol e sua mãe parece que tem uma relação bem íntima, regada a Gilmore Girls), o padrastro será o seu novo professor de química na escola e tem um filho da mesma idade que ela, que também irá se mudar junto com ela.

Tomás, o novo-irmão, parece ser um daqueles típicos adolescentes blasés que fingem não sentir nada e não gostar de nada. E coloca essa personalidade mais um grande momento de tensão e ele se transforma em um adolescente chato, mal educado, frio e que fala mal da Carol da boca pra fora. A garota não é boba nem nada e desenvolve um ódio terrível pelo meio irmão que é obrigada a aturar enquanto vive outros dramas na sua vida que envolvem, obviamente como toda garota de 15/16 anos, garotos, escola, família e amigas.

Crescer não é fácil pra ninguem, mas Carol se deu bem, conseguiu pensar as suas escolhas e se mostrar bastante dona de si mesma. É um belo incentivo para todas adolescente que estão vivendo esse momento e precisam de um forcinha pra acreditar mais em si mesmas e fazer suas escolhas independente do que os outros esperam de você.

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Sobre Dora

Dora mora em São Paulo e vive na internet. Começou a fazer Letras por gostar muito de livros e, hoje em dia, dá umas cambalhotas tentando escrever mais (e espera que algum dia consiga dar alguns saltos mortais).

  • Aline Tavares

    E gostei muito do livro. Li por causa da minha irmã adolescente que é muito fã da autora (que é uma fofa, por sinal) e acho que a Luly acertou muito em mostrar a importância de das jovens em se colocar em primeiro lugar ao fazerem suas escolhas, principalmente no campo sentimental.