‘Na Natureza Selvagem’, Jon Krakauer


De vez em quando, você lê um livro que muda a sua vida. Eu, tola, achei que mais nenhum livro fosse capaz disso, que já estava vacinada contra isso. Errei, e muito.

Na semana passada, me veio uma vontade súbita de ler “Na Natureza Selvagem”. Até o momento em que peguei o livro, só sabia que ele falava de um homem que largou tudo para viajar. Sinceramente, não sei como consegui ficar esse tempo todo sem spoilers dele, mas não sabia nada.

Na Natureza Selvagem

O livro é inspirado na história real de Chris McCandless, ou Alexander Supertramp, um moço recém-formado na faculdade que larga a sua vida para uma aventura no Alasca. O autor é Jon Krakauer, o jornalista que ficou incumbido de escrever sobre a morte de Chris para a revista Outside, e acompanha a trajetória do jovem nessa viagem louca e arriscada.

A leitura é prazerosa: mais parece um longo artigo de revista ou jornal, e cada capítulo tem uma epígrafe incrível. Através de depoimentos de amigos, parentes e outras pessoas-chave na vida de McCandless, Krakauer consegue reconstruir com maestria o que ocorreu com McCandless.

Até chegar no último capítulo, eu não achava que o livro teria tanta importância para mim. Mas percebi que estava bastante envolvida pela história de Chris, pela sua audácia em viajar para longe de todos sem medo do que pudesse acontecer, de sua serenidade ao aceitar a morte iminente. Descobri que havia passado a maior parte do livro muito introspectiva, e a sensação que tive foi a de que meu olhar estava sendo redirecionado para meu interior.

A obra de Krakauer inspirou um filme dirigido por Sean Penn e estrelado por Emile Hirsch, com uma trilha sonora espetacular composta por Michael Brook, Kaki King e Eddie Vedder. Emile atua de forma brilhante, entrando de tal forma no personagem que é quase impossível distinguir o Alexander criado do Alexander real. E a trilha… Ah, a trilha é a representação fiel de tudo o que você sente lendo ou vendo essa história.

Cometi o erro de procurar a última foto que McCandless tirou antes de falecer, e acredito que ela tenha sido a culpada por toda a minha reflexão pós-livro. Não é uma história triste, nem de longe, mas sim uma história de busca infindável. Chris foi ao Alasca se isolar do mundo para se conhecer melhor, para fugir da sociedade. Ele mostrava desconforto com a realidade social desde novo, e talvez esse tenha sido o seu maior motivo para fugir. No fim das contas, não importa. O que realmente importa é que centenas de pessoas hoje visitam o Ônibus Mágico de Chris, e como sua história é capaz de mudar uma pessoa.

 

“[…] uma estada demorada na natureza selvagem dirige inevitavelmente nossa atenção para fora tanto quanto para dentro, e é impossível viver da terra sem desenvolver, ao mesmo tempo, uma compreensão sutil dela e de tudo que ela sustenta e um forte laço emocional com ela.”

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Sobre Ariel Carvalho

Ariel é uma lua de Urano, um espírito do ar, um sabão em pó, uma marca de carro e uma pequena sereia, mas também é uma bibliotecária carioca que não consegue terminar a meta de leitura, sabe tudo de Monty Python e chora com filmes de ficção científica.