12 autoras de YA que você precisa conhecer


A literatura YA (sigla de ‘young adult’) é um alvo constante de críticas. Acusada de ser menos séria, de deturpar a literatura de verdade, de afastar as pessoas do livros adultos, de dar a adolescentes muito crédito e outras coisas mais. Em grande parte, essas críticas nascem do total desconhecimento da cultura que existe dentro desse gênero. Existe muito diálogo nos livros YA. Não é por acaso que essa é uma área onde autoras mulheres encontram mais espaço (embora nem sempre elas recebam os mesmos créditos) e onde as desigualdades de gênero estão em pauta.

A literatura adolescente tem muito a nos ensinar. Alguns desses livros falam de problemas familiares, outros citam homofobia, os personagens lidam com doenças, dificuldade financeira e problemas psicológicos. Isso sem contar a diversidade de histórias que podemos encontrar: distopias, fantasia, ficção científica, romance, aventura, policiais, etc.

E é por isso que nessa edição, nós queremos falar desses livros. Mais especificamente, das mulheres por trás da literatura adolescente. A Pólen, junto com algumas convidadas, tem uma lista de autoras incríveis para você conhecer já:

Laurie Halse Anderson por Tary Zottino

laurie halse anderson

Sempre escuto por aí que Young Adults são incapazes de abordar temas pesados com profundidade. “São livros onde o romance sempre é o principal foco. Aliás, praticamente impossível encontrar um YA sem um romance”. Nós, admiradores fiéis, sabemos que não é bem assim. Mas como acontece em todos os gêneros, às vezes precisamos garimpar para encontrar os livros que se encaixem com o que queremos naquele momento específico. Enfim, assunto para outra pauta. O fato é que Laurie Halse Anderson é uma autora que foge completamente a esses esteriótipos atribuídos aos YAs.

Pelo menos foi isso o que percebi lendo Garotas de Vidro (2009) e Fale! (1999), livros que abordam anorexia/bulimia e estupro, respectivamente. Nada de romance aqui. Nada de abordagem rasa. Ambas as protagonistas estão em pedaços, tristes, traumatizadas, infelizes, como não poderia deixar de ser. Elas passaram por coisas horríveis e o aparecimento de um interesse amoroso não é capaz de apagar tudo como num passe de mágica.

O maior acerto de Laurie Halse Anderson é fazer com que suas personagens vivam suas dores e, aos poucos (como acontece na vida real), encontrem meios de superá-las. São meninas que foram ao inferno e tentam descobrir o caminho de volta, sem precisar encontrar o “amor da vida” durante o processo. Não é à toa que os finais desses livros se tornaram inesquecíveis para mim: são desfechos com cara de recomeços. Recomendo muito as duas obras, mas o bacana é escolher um bom momento. Nos envolvemos tanto com as protagonistas que sentimos tudo o que elas sentem. Minha dica é começarem com Garotas de Vidro e depois conferirem Fale! Só não podem deixar de conhecer essa autora sensacional.

Sarah Dessen por Maynnara Jorge 

sarah dessen

Eu lembro que conheci a Sarah porque uma amiga vivia falando dos livros dela, até que um dia eu resolvi parar pra ler e BOOM minha vida mudou (ou quase isso hahaha).

Pra mim, a Sarah é uma autora que eu sempre associo as minhas férias, não sei se foi porque eu sempre os peguei pra passar o tempo ou porque todos eles se passam naqueles 3 meses de verão americano, mas uma coisa é certa, eles vão muito além do romance. Os livros dela trazem essa sensação de aprender a lidar com as mudanças da vida, os problemas familiares e principalmente eles sempre têm esse processo de autoconhecimento das personagens enquanto elas descobrem o que é sair da zona de conforto e se divertir.

A Sarah é bem gente como a gente nas redes sociais, então se você entrar no tumblr dela sempre vai ter alguma piada, fotos de comida e os cachorros dela que são super fofos. Ela também é super atenciosa pra responder as perguntas dos fãs no goodreads que vão desde dúvidas sobre o plot das histórias dela até conselhos para escritores que estão começando agora.

A parte ruim é que por não ser tão conhecida aqui (acho que é por isso, não sei), boa parte dos livros dela ainda não foram traduzidos, inclusive o meu preferido que é The truth about forever. Mas se você consegue ler em inglês vale muito a pena procurar os outros livros dela pra ler. E em maio desse ano ela vai lançar livro novo!!

Maureen Johnson por Lorena

Minha história com a Maureen (desse jeito parece até que ela é minha melhor amiga né? #iwish) começou do jeito que muitas histórias do meu lado fangirl começam: no twitter. Alguns anos atrás, o universo conspirou pra que eu a seguisse por lá e eu amei desde o primeiro retweet.

Vamos por partes e, em primeiro lugar, as redes sociais. Se você for dar uma olhada no twitter ou no tumblr dela, vai encontrar mensagens de apoio, piadas internas, anedotas sobre a vida dela, os vizinhos, os absurdos que ela encontra online e fotos do animal de estimação. Tipo assim, exatamente igual a grande parte da sua timeline. Com a diferença, claro, de que ela tem mais de 100 mil seguidores. Mas ela constantemente mistura assuntos sérios com piadas e deixa meu feed mais legal.

Agora, sobre os livros – o que né, é o que realmente importa aqui -, o que eu realmente gosto na Maureen é a delicadeza com que ela aborda vários temas. Alguns que eu quero citar aqui são homofobia, problemas familiares e crises de identidade. Ela já escreveu vários livros (ainda que quase nada tenha sido publicado no Brasil) e, até agora, adorei todos os que eu li. As personagens são bem construídas, os plots são interessantes e variados e as leituras te deixam, no final, com um misto de assuntos sérios e momentos engraçados na cabeça.

Eu recomendo começar pelo conto dela no livro Deixe a neve cair (chama “O Expresso Jubileu”) pra sentir como é o estilo dela. Daí pra frente, tem livros de aventura, de mistério, de distopia e de realidades da vida pra você escolher. 

Ally Carter por Mariana Marins

ally carter

Meu contato com a Ally se deu primeiramente pelos livros, até porque na época eu nem era muito ativa em redes sociais. Comecei pela primeira série dela, Gallagher Girls, cuja tradução é auto-explicativa: Escola de Espiãs.

Nela garotas de várias idades treinam para um dia trabalhar em agências do serviço secreto. O mais legal do livro é o senso de sororidade que prevalece entre as alunas. Mais do que colegas de classe, elas são irmãs. Elas se amam, se apóiam e, acima de tudo, defendem umas às outras. Afinal de contas, no fundo, esse é um colégio interno. Elas vêem mais umas as outras do que os próprios pais. E é muito bonito ver como elas se tratam como uma grande família.

Outra série da Ally é Heist Society (Ladrões de Elite em português). Nela, acompanhamos uma garota que vem de uma tradicional família de ladrões e tem que salvar seu pai, que foi incriminado injustamente pelo roubo de uma coleção de arte. Para isso ela tem que correr contra o tempo para provar que não foi ele e conta com a ajuda de um grupo de amigos tão gênios do crime quanto ela.

Pra mim, o principal dos livros da Ally é que eles têm protagonistas mulheres super badass que resolvem qualquer pepino que cair no colo delas. E pra isso, os livros são recheados de ação e suspense. Como ela bem disse em seu twitter recentemente: “Eu nunca poderia escrever um livro normal porque eu preciso que as coisas explodam.”

E. Lockhart por Rovena

e lockhart

Confesso que só fui conhecer de fato a E. Lockhart na época do hype de We Were Liars (Mentirosos, aqui no Brasil). Mesmo sem ler o livro, comecei a segui-lá no twitter e no Pinterest, evitando olhar as boards dos livros, com medo de levar algum spoiler. Não preciso nem falar que quando comecei a ler o trabalho da moça, me apaixonei perdidamente e uma linda história de amor começou.  Ainda não li todos os livros que ela publicou, mas já sei que vou gostar.

Já fiz duas resenhas de dois livros dela aqui na Pólen, mas acho que vale a pena falar de novo. Acho a escrita da E. Lockhart super fácil de acompanhar porque é bem simples e direta. Ela aborda temas muitos importantes em seus livros de uma maneira bastante delicada. Suas personagens são reais. Frankie realmente poderia ser minha colega de sala e melhor amiga. Cadence, Mirren, Johnny e Gat poderiam ser aquela família que sempre vemos na praia, se divertindo e aproveitando a vida do jeito que só eles sabem fazer. Todos eles são inesquecíveis. As histórias machucam, divertem e ficam com você por muito tempo. Eu, por exemplo, até hoje não superei Mentirosos e para ser sincera, nem sei se vou.

A autora sempre participa de pequenos e grandes eventos e é super simpática com os fãs. Na época do lançamento de We Were Liars, a rede social de livros Goodreads nos permitiu fazer perguntas para alguns autores e a E. Lockhart estava no meio. Mandei uma mensagem falando que ela destruiu a minha alma  ela respondeu com um singelo “Thank you”. Me ganhou de vez.

Meg Cabot por Larissa

meg cabot

Meg Cabot foi uma das primeiras autoras de YA que li na vida. Quando descobri a série “O Diário da Princesa”, em meados de 2006, fiquei capturada instantaneamente. Desde aquela época, sonho em um dia ser Meg Cabot quando crescer.

Ela é o tipo de autora que reúne várias coisas que eu gosto em um livro: tem uma escrita fácil, fluída, que te carrega no colo por centenas de páginas num único dia; cria bons personagens, tão marcantes que parecem pessoas de verdade; e é capaz de escrever bem sobre qualquer coisa, qualquer tema e transformar qualquer história a seu favor. Dê um limão a Meg Cabot e ela te devolverá um livro best-seller.

É muito difícil passar por um livro da Meg sem um turbilhão de sentimentos. Até aqueles que eu menos gosto despertaram milhares de coisas ao mesmo tempo durante a leitura. São o tipo de livro que te conquista pela simplicidade, aos pouquinhos. Meg conhece o público para o qual escreve, e sabe cativá-lo como ninguém.

Por último, mas não menos importante, acho difícil não se apaixonar por uma autora tão dedicada aos seus fãs. Meg não faz restrição entre atender uma fila de 600 fãs numa livraria e ser simpática com leitoras malucas que aparecem na porta do seu hotel. Ela se dedica a não apenas escrever bem, mas receber bem, e esse tipo de carinho jamais passa despercebido.

É, dona Cabot. Quando crescer, quero ser igualzinha a você.

Melina Marchetta por Nathalia Bragança

melina marchetta

Melina Marchetta escreve histórias que precisam ser contadas e constrói personagens tão reais que, mesmo após meses do término da leitura, é para a companhia delas que você irá querer voltar. . Ela não está interessada em escrever personagens modelos, perfeitos e, sobretudo, unidimensionais. Pelo contrário, escreve sobre pessoas que estão simplesmente tentando aguentar firme. Sua força está no modo em como escreve relacionamentos fortes entre família e amigos. Amizades e amores que se formam sob até mesmo a pior das circunstâncias.

Suas personagens estão constantemente divididas entre escolhas certas e erradas e, porque são dolorosamente humanos, às vezes tomam o caminho mais sombrio. Mas o bonito de Melina são a delicadeza e esforço narrados quanto a busca constante por esperança e resiliência. Em seus livros você Vai ler sobre famílias e se identificar de alguma maneira – sabe aquelas lembranças que você tem de situação extremamente mundanas? Talvez uma viagem de carro com seus pais – você era criança, mas ainda se recorda do cheiro de maresia ou do sabor da sobremesa comprada em um restaurante na beira da estrada. Talvez uma sessão de filme com seus amigos, brigadeiro de panela e risadas, quando vocês tinham a tarde livre depois do colégio. Talvez um almoço na casa da sua avó em dia de domingo. Talvez um abraço que veio na hora certa, um choro feio, o dia seguinte a uma noite particularmente difícil. Melina descreve todas elas. É crueza, mas também é magia.

Há romance, mas as histórias nunca são só sobre isso. São sobre pessoas e suas respectivas jornadas. O amor romântico é simplesmente algo que – de forma singela, desajeitada e real – acontece no meio do caminho, mas nunca é o principal. O verdadeiro foco está nas histórias de pessoas danificadas que se encontram, se remendam e não se largam.  E a diversidade de suas personagens e suas realidades apenas despertam ainda mais a empatia que só a leitura de um bom livro te proporciona.

Acredito que a maioria dos fãs da Melina começou por On The Jellicoe Road, a incrível história que permanecerá com você para sempre (Melina já está escrevendo o roteiro para adaptação cinematográfica). Para acompanhar seu crescimento como autora, entretanto, recomendo inicialmente a leitura de Looking for Alibrandi, seu primeiro livro (bem como o filme de 1999, também com roteiro da própria Melina). Seu livro mais pessoal, Saving Francesca (e o meu preferido) te apresentará personagens maravilhosos que voltarão a te fazer companhia em The Piper’s Son, uma “companion novel” a Saving Francesca. Aos fãs de fantasia: As Crônicas de Lumatere consistem em Finnikin of the Rock, Froi of the Exiles e Quintana of Charyn (os dois primeiros já publicados no Brasil como “Finnikin, O Guerreiro” e “Froi, Um Exilado”). E, segundo a própria Melina, On The Jellicoe Road, Saving Francesca e The Piper’s Son logo também serão publicados no Brasil. E, acredite, são histórias das quais você sentirá a necessidade de compartilhar com quem ama.


livrosmelina

 

Uma vez mandei uma mensagem a Melina contando o quanto ela e suas personagens são importantes para mim. Eu não sei que mundo é esse em que seu autor favorito a) reconhece sua existência, b) troca e-mails com você, c) te trata da forma mais amável possível e d) te presenteia com livros autografados, mas parece ser esse mesmo em que a gente vive. <3

Tahereh Mafi por Bárbara Regina

tahereh mafi

Eu poderia começar falando de tudo que me levou inevitavelmente a ler o trabalho dela: os tweets (@TaherehMafi) mais sassys de todas as escritoras, a dupla talentosa que ela forma com o marido, capítulo 62, capítulo 55, seus maravilhosos sapatos ou sua proximidade com os leitores. Porém, nada supera sua maior qualidade: a escrita.

Tahereh tem na escrita o que eu só consigo descrever como “alma” (e uma profunda gama de metáforas a seu dispôr). Seu conhecimento pela personagem de Juliette, protagonista de sua única trilogia publicada, é intenso o bastante que nós, leitores, conseguirmos sentir o gosto amargo de uma vida de rejeição, isolamento, medo e insegurança. Com metáforas (já citadas — porque são geniais) e riscos, acompanhamos a trajetória de uma garota ao se aceitar como ela é pela evolução da escrita: no começo, uma narrativa mais privada, com inúmeras reprovações; depois, uma fala clara e objetiva, madura. Seja nos diálogos internos ou nos diálogos, você se vê encarando o livro de queixo caído com a beleza dos versos. Tem poesia, tem prosa e tem aquela sensação de clareza na leitura: ah, esse é o sentimento que nunca consegui descrever.

Ainda não te convenci? Então te dou de presente uma dor: Warner. Você vai odiá-lo por tempo o bastante para estranhar seu amor por ele. E aí vem “love”, vários capítulos de descontrole emocional e você, chorando pra quem te indicou o livro e amaldiçoando o dia que ela te apresentou a trilogia (se essa pessoa for euzinha, grita. Meu prazer se estende ao sofrimento da pessoa quando um livro entra na vida dela pra ficar). É lindo, é dolorido, é bem escrito e, triângulo amoroso ou não, a jornada dos personagens é o bastante para te manter grudada por 3 livros. E eu já falei das cenas quentes mais bem escritas do universo YA? Uhum. Aqui tem de tudo!

Em resumo, porque eu me empolgo em falar dessa rainha, venho pregar a palavra de Shatter Me. A trilogia, entitulada Estilhaça-me no Brasil, terminou de ser lançada ano passado. Se quiser sentir a escrita da Tahereh, eu recomendo ler em inglês. Mas se nem esses 4 parágrafos te convenceram disso, siga ela no Twitter. Seja pelas roupas, os sapatos, as trollagens ou os daily tweets, é impossível não se apaixonar por ela! <3

tahereh

(aqui sou eu, comendo as unhas pelo lançamento de Ignite Me, último livro da série, e a rainha da trollagem não perdoando minha ansiedade!)

(Nota editorial: ela se casou em uma livraria. Só isso já deveria torná-la ídola de todas nós)

Ally Condie por Kleris Ribeiro 

ally condie

Não entre docemente no carisma da Ally Condie (embora ela seja uma fofa e seus papos no twitter, principalmente com a Ally Carter, sejam adoráveis).

Existem alguns livros que a gente mal pode explicar o porquê de ter nos conquistado para poder ganhar outras pessoas. Não porque são ruins, mas umas ressalvas valem ser feitas. Os livros da Ally – mais precisamente da série A Sociedade, já que seus outros livros ainda não foram publicados no Brasil – estão nessa minha categoria de indicação.

Romance? Sim. Jovem adulto? Também. Triângulo amoroso? Com certeza. Mas não se enganem, a autora faz com que não nos detemos exatamente a esses ingredientes literários. Ally não só nos presenteia com uma ficção científica de enredo distópico, mas também com uma experiência densa e ideológica. Não temos grandes ações, e nem por isso grandes reviravoltas. Apesar de ter esperado bem mais dessa autora em alguns aspectos, quanto mais eu penso nisso hoje, após ter lido toda a trilogia, entendo cada vez mais a intenção e como é necessário o desenrolar apresentado em sua história. Trata-se de sutilezas, de silêncio e toda uma guerra fria. Dominação? Sim. Filosofias? Muitas. Simbologias? Com certeza. Conspirações? Demais.

Mas é isso, é naquele silêncio de uma poesia, nas entrelinhas de uma rima, em um olhar questionador, numa atitude apaixonada, num resquício de papel, e em todas as possíveis significâncias que esses pequenos manifestos vão dar força para quebrar o vidro da bolha social. Condie constrói uma intensa e engenhosa trama, onde nela revela o peso das escolhas e até onde vão nossas ideias sobre como funciona de verdade uma sociedade. Não entre docemente naquela boa noite, revolte-se, revolte-se contra o apagar da luz.

Kiera Cass por Lais Baptista

kiera cass

Eu conheci a Kiera por conta do fandom de Twilight (vai, pode tirar isso do seu sistema, julga se quiser, depois volta pra história). Ela fazia uns vídeos paródias no Youtube no canal TwiCurls e eu achava ela tão fofa e engraçada que passei a seguir o canal pessoal dela. E foi assim que descobri que ela ia migrar do lado de fã pra autora. A história de A Seleção me interessou de primeira e a Kiera ser a pessoa que é só ajudou.

A série é um romance numa distopia com princesas, vestidos, intriga, brigas, guerra, política e amizade. Tem algumas personagens muito gostosas de se ler e ela tem um estilo de escrita fácil e rápido. Não é muito complicado ler os livros de uma vez só (e ficar querendo mais). Estou bastante curiosa pra ler mais coisas dela fora desse universo.

Acho que em parte por ter sido de fandom antes, ela entende a gente. Quer dizer, ela ainda surta pelos fandoms dela no twitter, como qualquer um de nós. E ela compartilha bastante da vida dela também, o que cria uma oportunidade de identificação. Eu admiro muito a força e a honestidade dela. E não atrapalha o fato dela ter uma família super fofa com duas das crianças mais adoráveis ever.

Maggie Stiefvater, por Fernanda

maggie stiefvater

Maggie Stiefvater escreve literatura YA sempre com um toque sobrenatural. Sua série mais famosa é Os Lobos de Mercy Falls, e nela já dá para perceber várias características de sua obra (que só fica melhor!). Uma das melhores coisas nos livros dela é que a mitologia é sempre toda especial – nesse caso, são os lobisomens, mas eles são mais humanos que perdem sua humanidade todo inverno, cada vez mais, até não retornarem mais de sua forma animal. Em A Corrida de Escorpião, Maggie se baseou parcialmente numa lenda celta sobre cavalos assassinos que saem do mar para atrair suas vítimas; em Os Garotos Corvos, numa lenda sobre um governante gaulês que estaria adormecido debaixo da terra há séculos, esperando para ser despertado por um felizardo que, em troca, teria um pedido realizado.

E o que mais? A prosa é maravilhosa: as descrições que dão a cor local a cada lugar – fictício ou não – são incríveis. E os personagens? Nos livros mais recentes, tem sempre uma gama de personagens ótimos, com personalidades e motivações muito bem estabelecidas. Eles sempre soam como se pudessem ser pessoas de verdade. Os livros também sempre exploram problemas sérios tipo abandono, abuso ou desigualdade social, mas sem ser sobre isso.

Meu favorito é A Corrida de Escorpião. Eu sempre digo para confiarem em mim quando falo que uma história sobre cavalos mitológicos carnívoros que saem do mar todo mês de novembro (e sobre os humanos que tentam domá-los) consegue ser linda. Mas, se eu fosse indicar um livro da autora para quem quer começar a ler sua obra, seria Os Garotos Corvos. É ele que possui uma mitologia mais diferente e bem explorada, uma história mais intrincada, a melhor voz narrativa, os personagens mais complexos e os relacionamentos mais interessantes. Ah, a protagonista dessa saga foi criada só por mulheres (que são videntes!) e é feminista declarada. Só isso já seria lindo, mas tem muito, muito mais.

Veronica Roth por Rovena

veronica roth, divergente

Veronica Roth é o amor da minha vida. Simples assim. A nossa história começou, obviamente, com o seu primeiro livro. Depois disso veio todas as entrevistas que li e assisti; o twitter e tumblr. Antes mesmo de começar ‘Insurgente’, eu já sabia que o meu amor por ela seria eterno.

Veronica tem a minha idade e já tem três livros best-sellers. Ela cresceu com Harry Potter, então entende quando os fãs ficam desesperados e sofrendo. Quando ‘Divergente’ ainda não tinha uma editora, Veronica fez uma promessa que, se ela conseguisse publicar seu livro, entraria em uma banheira cheia de marshmallows. E o que aconteceu? Isso mesmo, ela entrou na banheira! Veronica dedica seus livros aos seus leitores. Você quer fazer um evento literário? Sim, pode chamar Veronica que ela vai. Você quer uma autora sempre te dá motivos para fangirliar? Sim, ela também faz isso quando conversa com vários autores no twitter.

Como se toda essa lindeza não fosse o suficiente, ela ainda é super carinhosa com seus leitores e se importa com eles. Veronica é audaciosa, corajosa, inteligente e gentil (sim, ela também é divergente). Vocês podem não gostar dos livros (e isso é OK!!!), mas vamos admirar essa mulher, toda a sua fofura e a sua coragem em fazer um dos finais mais chocantes dos últimos tempos. Talvez, seu único defeito foi ter colocado o nome Tobias em um personagem, mas nem isso diminuiu o nosso amor pelo Quatro, não é mesmo?

PS: Ainda que tenhamos citado só nossas autoras favoritas, há um universo de mulheres incríveis escrevendo YA que merece ser descoberto #leiamulheres

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