Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.


Texto: Larissa Lopes

Eu preciso ter vontade de ficar em algum lugar, porque minha vontade de ir embora é permanente em todos os lugares, assim como quem muda de “casca” a cada novo ano, a cada nova grande e idealizada resolução. Mudar de país não é fácil, de cidade, de amigos, de planos, de rota.

Disse uma vez a uma amiga que essa vontade era permanente, embora fosse medrosa em relação ao novo. Não sei se isso veio de uns tempos pra cá, ou se estava escondida em algum lugar dentro de mim. Não sei se é culpa do meu ascendente ou desse desassossego que carrego no peito.

Só sei que comigo a frase de Camões sempre fez sentido: “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.”

As inúmeras mudanças de cidade só me trouxeram a ideia de que nada, absolutamente nada é permanente, inclusive nós mesmos. Sem falar na mudança de cabelo, de corpo, de ideia, de apartamento, de namorado, de trilha sonora. É como se, a cada novo ciclo, essa ideia do ‘novo’ resgatasse alguém que eu não conhecia, alguém que precisava ser descoberto ou ‘redescoberto. ’

Já sabia Camões e, meu texto é um brinde ao novo e a tudo o que precisa ser verdadeiramente novo dentro de nós.

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