“Morte Súbita”, Álvaro Enrigue


Texto: Amanda Ariela

Esse livro é doido.
Completamente doido, pirado e, o pior, ele sabe disso. E ele não vai ficar satisfeito até que você fique completamente confuso e imerso em bolas de tênis, nas tranças de Ana Bolena, nas conquistas de Hérnan Córtez e Vasco de Quiroga e nos quadros de Caravaggio.

Basicamente, ele conta a história de uma partida de tênis – ou pela, como eles costumavam chamar o jogo – entre o pintor italiano Caravaggio e o poeta espanhol Francisco Quevedo. Por algum motivo que ele não se lembra, Caravaggio desafiou o poeta e agora o jogo é um duelo de vida ou morte.

Mas a partida é, na verdade, um mero pano de fundo para uma narrativa muito maior, que conta trechos da história do México, dos cabelos de Ana Bolena e até de arte indígena e clássica.

Por vezes, a história se quebra e vai para outro lugar, deixando a partida de tênis rolando e o leitor como alguém que zapeia pelos canais de televisão e encontra algo mais interessante para ver. Por essas quebras na narrativa, a impressão que dá é que a história é uma grande bagunça cheia de contornos e retornos desnecessários. O livro tem trechos que incluem a história do tênis e até threads de email trocadas entre o autor e seu editor.

Tudo fica um pouco mais claro no capítulo “Padres que foram uns porcos”, que está perto do final do livro e que explica um pouco do porquê de todo esse vai-e-volta e dessa narrativa sem começo, meio ou fim. Na minha opinião, esse trecho veio um pouco tarde demais. Eu até que tive uma explicação dos porquês, mas ao invés de acalmar meu coração e de fazer eu achar o autor um gênio, acabei com a impressão de que ele era um pouco enfadonho demais. Em certo trecho desse capítulo, o autor escreve “não sei sobre o que é esse livro”. Nem eu, amigo.

A premissa do livro parece interessante, mas, apesar de ser fã de livros que misturam realidade histórica e ficção, eu não pude deixar de achar esse livro exaustivo e nonsense demais. Alguns trechos da narrativa também eram um pouco à la Saramago, com aquela pontuação e falta de travessões distinta. Essa obra deve ser lida com muita, muita atenção.

No final, acabei com a impressão de que li o livro no momento errado (no final do semestre da faculdade e o período do ano mais atribulado no meu estágio, talvez eu precisasse de uma leitura muito mais leve) e sinto que sei muito mais sobre o tênis do que gostaria de saber. Acabei de ler o livro me sentindo burra e sabendo que não tenho o conhecimento histórico e literário para apreciar a obra completamente.

Esse livro não é para qualquer um e estou bem perto de dizer que ele “não é para mim”. Mas admito que ele também tem seu mérito, por ousar e testar novos limites, mesmo que, para isso, tenha me empurrado para muito, muito, muito longe da minha zona de conforto.

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