Milhões de segundos depois – Editorial #12


Por Lorena V. e Milena M.

Já faz mais de um ano. Na verdade, foi no dia da morte do Eduardo Campos. No momento exato em que a TV começou a noticiar o acidente, nós estávamos fazendo um dos nossos programas mais comuns: almoçar na lanchonete da faculdade enquanto tentávamos entender que merda é a vida e por que escolhemos profissões tão claramente fadadas ao fracasso. Otimista e agradável assim.

Foi assim que surgiu a ideia da Pólen. De uma necessidade que uma estudante de Jornalismo sentiu de não viver o resto da sua vida presa às hard news e da necessidade de uma estudante de Letras de não viver o resto da sua vida presa a um academicismo quase opressivo. Meses depois, em novembro de 2014, estávamos ajustando todo o nosso projeto. Juntando o pessoal que queria colaborar, montando as editorias, discutindo pautas, criando prazos e, mais importante – ou, pelo menos, mais difícil – nos entendendo com hospedagem e criação de sites.

Nossos primeiros textos foram ao ar um mês depois, em meio à inexperiência que ainda tínhamos. De lá pra cá, claro, aprendemos algumas coisas sobre o processo – apesar de ainda precisarmos aprender muito – e podemos dizer que falamos de uma perspectiva melhor. Aliás, essa é a questão da perspectiva: ela está sempre mudando.

Quando olhamos pra trás, as coisas parecem ter sido muito mais simples. Depois que tudo deu certo a gente acaba não conseguindo mais imaginar a possibilidade de ter dado errado. De prazos complicados para cumprir a dificuldades técnicas de wordpress, passando por um final de semestre e dificuldades de comunicação (não moramos todos na mesma cidade, afinal). Quando estamos no meio, parece um emaranhado de problemas, mas, com o tempo, percebemos que não era bem assim.

O engraçado da perspectiva é que só entendemos o quando ela importa depois que ela muda. Até lá ficamos encarando aquele pedaço de parede em branco achando que o mundo se resume a isso. Até lá achamos que só podemos ser jornalistas ou estudantes de Letras que nunca se formam. Deixamos de ver as possibilidades absurdas e absolutamente reais que estão ao nosso alcance.

Éramos uns 15, hoje somos 51. Éramos uma ideia, hoje conseguimos transformar nossas crises artísticas, profissionais e existenciais em algo palpável e compartilhável. E é essa a magia: a ideia não é virar mais um site com cliques aleatórios. É pegar aquele sentimento inicial, aquela insatisfação com a inércia, e transformar em algo bom.

Algumas madrugadas, quando os prazos estão atrasados e os textos parecem não sair e as planilhas parecem que vão nos engolir, as coisas voltam a parecer fadadas ao fracasso. Mas é só olhar de novo e de um jeito diferente. Tudo já deu certo. A gente só precisava de milhões de segundos de perspectiva, que somente o tempo poderia nos dar.

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  • <3 obrigada, querida

  • Eu fico muito feliz com a existência da Pólen. O mundo precisa de mais projetos legais assim.