“Mil pedaços de você”, Claudia Gray


Texto: Rovena Naumann

Original: A thousand pieces of you
Autora: Claudia Gray
Editora: Agir Now
Nota: 4 estrelas

Quando eu vi que o tema desse mês seria vínculos, eu já sabia sobre qual livro queria falar. Porque, além de Mil pedaços de você ter esse tema bem presente, a minha história com esse livro também é um pouco assim. Ele foi escrito por Claudia Gray, que escreveu um dos meus livros favoritos de 2015 (você pode ler a resenha dele aqui!). Também votei para escolher a tradução do título aqui no Brasil. E uma certa personagem tem um certo sobrenome que me fez ter ataques constantes de fangirl.

fangirl

Em Mil pedaços de você conhecemos Marguerite, filha de dois grandes físicos que conseguiram criar um pequena aparelho chamado Firebird, que permite que as pessoas viajem entre as diversas dimensões paralelas. Porém, acontece uma coisa que ninguém esperava. O pai de Marguerite, Henry Cane, é morto e seu assassino, um jovem assistente que trabalhava com ele, foge para uma outra dimensão antes de ser preso. Com a ajuda de um outro assistente, a garota percorre as várias dimensões com um único objetivo: matar Paul Markov.

Gente. Gente. GENTE. Que livro mais maravilhoso é esse? Eu não sou nenhuma física e nem entendo de física também, então não posso falar muito nesse aspecto, mas sabe, eu acreditei em tudo o que estava escrito ali. Em nenhum momento fiquei pensando “aaaaaah, que mentira”. Não, tudo parecia ser real. E eu quis ter um Firebird para chamar de meu (mas sem as complicações, é claro).

O tema central do livro é esse: será que o amor é o mesmo em todas as dimensões? Ou melhor, será que ele resiste às dimensões? E a resposta é sim. Não importa em qual dimensão Marguerite estivesse, ela sentia o mesmo por aquela pessoa que estava ali, fosse ela seu pai, Theo ou até mesmo Paul. Mesmo que, na verdade, esses Henry, Theo e Paul fossem pessoas diferentes daquelas que ela estava acostumada. Porque, não importa onde ela esteja, nada apaga os sentimentos que ela carrega dentro de si. Os laços criados com essas pessoas na sua dimensão, na sua vida real, eram fortes demais para serem apagados ou destruídos com uma simples mudança (uma mudancinha, né? Só vou ali numa outra dimensão e já volto, péra).

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As dimensões visitadas são incríveis. Primeiro temos uma Marguerite numa Londres futurística. Depois, ela vai para a Rússia czarista (!!!!!!!!!!!!!!!). Ainda visita uma vida sem semelhante à sua, mas que ela ainda percebe algumas diferenças sem sutis. Por fim, Marguerite está numa estação no fundo do mar, porque nessa dimensão, sua mãe é uma oceonógrafa.

Vamos falar sobre a Rússia czarista? Vããããm!!! Gente, eu acho que essa dimensão foi, talvez, uma das melhores partes do livro, senão a melhor. Por que?, você me pergunta. Pela riqueza dos detalhes. Foi tudo tão bem trabalhado, pesquisado e descrito, que era impossível você não se imaginar ali. E algumas cenas dessa dimensão foram escritas com tanta delicadeza que fizeram o meu coração bater mais rapidinho. Na verdade, o livro todo tem algumas cenas muito delicadas e bonitas, mas creio que essas da Rússia são muito especiais. E quando acabou eu só pensava “nãããão, quero mais!”, mas nada nessa vida é do jeito que queremos, não é mesmo? 🙁

markov

Meu Markov

Me apeguei ao Markov logo de cara e fiquei um pouco triste com toda a história do “eu tenho que matar Paul Markov” (no melhor estilo “I have to kill Bill”) porque, veja bem, Markov é o sobrenome de um jogador de hóquei do meu time. E esse jogador é extremamente fofo, adorável, um pouco lento às vezes, mas mesmo assim uma pessoa incrível. Então, é claro que eu associei o meu Markov ao Markov do livro e as coisas desandaram um pouco a partir daí. Tentei imaginar um outro rosto para o Paul, mas não adiantou. Depois de algumas tentativas ele foi uma mistura do meu Markov com um outro jogador russo (que também é do meu time, porque tem muitos jogadores russos na liga de hóquei). Não vou colocar a foto desse outro aqui, porque quero deixar vocês imaginando Paul Markov como o meu Markov, mas talvez um pouquinho mais novo! 😀

E eu não posso terminar essa resenha sem comentar sobre a capa maravilhosa. A aquarela misturada com uma Moscou colorida e uma Londres cinzenta. Uma das capas mais bonitas de 2015 (considerando esse o ano que o livro foi publicado aqui no Brasil). Não me canso de admirar toda essa beleza. E nos capítulos, eles ainda alternaram entre as imagens de Londres e Moscou, Londres e Moscou, Londres e Moscou…

Mil pedaços de você é um livro rápido, divertido, com muito romance e ficção científica. É uma leitura que tem tudo para agradar a todos. Eu já estou aguardando ansiosamente o segundo volume, viu Agir Now? 😀

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Sobre Rovena

Rovena é de Vitória, formada em Relações Internacionais e atualmente cursa Letras-Inglês. Gosta muito de ler e ouvir música enquanto escreve. Grifinória, feminista e especialista em tretas do blink-182. Está no twitter (@rovsn).