Menina, amanhã


Texto: Marina Cavalcante // Arte: Gabi Amorim

Menina cheia de nóia
O que te apavora
Quem te apavora

Cabeça cheio de nó
Quem te enrola
O que te rabisca
O que te irrita
Quem vai te salvar

O tempo te narra
Nóia só tu
Um pé
Outro
Pedra.
Na hora ninguém escapa

Menina cheia de nóia
Parece doce
Parece algodão

É ele
É nóia
É coisado
É dentro
Doendo
Enrolando tu
Te dando nó

Menina
Não é nós
É ele
Cheio de nó
Só pensa em só
Tu, nada

Menina, vá
Saia dessa
Olhe pra frente
Segura a saia
Tropeçou levantou
Corre
Até

Menina, vai
Vai, menina!

Menina cheia de nóia
Rasga esses nós
Fica só
Penteia a cabeça
Desembaraça tu
Corta, raspa, liberta
Faz como se for

Menina cheia de nóia
Não engole teu nós
Não estás a sós

Menina
Cheia de nóia
Tem eu
Tem gente?
Tem tu

Menina
Pouco cheia de nóia
Cheia de sóis
Narra o tempo
Descabela ela
Come digere peneira

Menina
Nóia, só tuas coisas
Nó, só de cabelo
No vento
Free

Tempo, vai!
Ontem é poeira

Menina,

tudo
é questão
de desatar os nós

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Sobre Marina Cavalcante

Marina é uma escritora de 25 anos formada em Jornalismo pela UFPB e nascida e criada em Recife, Pernambuco. Seu endereço atual é a cidade de João Pessoa, capital paraibana. Já morou em Campinas (SP) e em Melbourne, na Austrália. Planeja viver em um novo lugar no mundo que faça sentido e que não morra de frio. Brasil e Nordeste, além de origem, são identidades. Escrever é verbo presente. Quando não está escrevendo, está vivendo para escrever. Para mais de Marina, visita o blog dela: marinabrazil.com.br.