Malala: a garota que sobreviveu


Texto: Rovena Naumann

Malala Yousafzai é uma jovem ativista pelo direito das meninas à educação. Hoje, com 18 anos, a garota já é exemplo para milhares de meninas, e mulheres, espalhadas pelo mundo. Mas não podemos falar de Malala deixando de lado toda a sua trajetória, que foi difícil e trágica.

Enquanto o talibã agia no vale do Swat, controlando, principalmente, o acesso das meninas à educação, a jovem paquistanesa que na época tinha apenas onze anos não se deixou abalar e nem teve medo. À pedidos, a garota começou a escrever sobre o seu dia a dia, usando um pseudônimo, para um blog da BBC. Lá, Malala contava como era viver em uma região controlada por um grupo fundamentalista. Depois do blog, a garota apareceu em um documentário feito pelo New York Times, que tinha o mesmo propósito do blog.

Malala começou a fazer discursos, promovendo ainda mais a educação para as meninas, porque afinal, garotas podem – e devem – ter acesso à educação. E agindo dessa forma, Malala começou a atrair inimigos perigosos. A garota sabia que a sua vida estava em risco, mas mesmo assim ela não desistiu. Lutar pela educação era muito maior do que qualquer coisa, até mesmo a sua vida.

Em nove de outubro de 2012, aconteceu o ataque. Malala estava em um ônibus escolar, indo para casa, quando um soldado do Talibã parou o transporte, perguntou se Malala estava ali e quando viu a garota, atirou contra ela. A bala atingiu o seu crânio e por dias, Malala ficou inconsciente e em estado grave. Quando conseguiu melhorar, foi transferida para um hospital na Inglaterra. E foi lá que ela acordou, longe dos pais e sem entender o que estava acontecendo. Desde então, Malala ficou conhecida mundialmente como a garota que sobreviveu.

Foi também a partir desse dia que Malala aceitou o seu papel de mockingjay e começou a lutar, com mais dedicação e força, pelo direito das meninas à educação. Campanhas foram feitas, assim como discursos e entrevistas para os principais canais de televisão do mundo inteiro. Em 2013, Malala saiu na capa da revista Time, como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo. Nesse mesmo ano, ela fez um discurso na sede da Organização das Nações Unidas, em Nova York, pedindo acesso universal à educação.

Vamos pegar nossos livros e canetas. Eles são nossas armais mais poderosas. Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo.

Aos 17 anos, Malala foi laureada com o Prêmio Nobel da Paz, pela sua luta contra a repressão de crianças e jovens e pelo direito de todas às crianças à educação. Malala é a pessoa mais jovem a receber um prêmio Nobel, e não poderia ser mais merecido.

Enquanto Malala ainda estava hospitalizada, Gordon Brown, enviado especial da ONU pela Educação Global, disse que continuaria lutando por aquilo que Malala estava lutando e lançou uma campanha chamada I am Malala (Eu sou Malala) em que nenhuma criança estaria fora da escola até o fim de 2015. A ideia era que garotas iguais à Malala poderiam freqüentar a escola. Também foi criado o Malala Fund, um fundo de ajuda que quer permitir que meninas tenham doze anos de educação de qualidade e com segurança, para que elas possam atingir o seu potencial e serem a mudança necessária em suas famílias e comunidades.

No seu aniversário de 18 anos, em 2015, Malala abriu uma escola para meninas no Vale do Bekaa, no Líbano, para meninas sírias refugiadas.

Mas o poder da Malala não parou por aí. Novas meninas começam a aparecer, querendo seguir o mesmo caminho. Um exemplo é Omaima, uma garota de síria de apenas 15 anos que quer ser uma advogada quando crescer para defender os direitos de meninas e mulheres e, principalmente, lutar contra o casamento infantil.

O livro Eu sou Malala (Companhia das Letras, 2013) acompanha toda a luta de Malala no vale do Swat, mostrando com detalhes todo o horror vivido e presenciado pelas pessoas que moram ali. É bonito ver que mesmo assim a garota não desanimou. Toda a injustiça só fez com que Malala criasse mais forças para seguir em frente, batalhando por aquilo que ela acreditava ser o correto. Eu sou Malala também tem muitas fotos da família Yousafzai e da região natal de Malala. É tocante ver uma garota tão nova se dedicar a uma causa tão nobre como essa.

O filme Malala (2015) também é uma ótima ideia para quem quiser conhecer um pouco mais sobre a garota, porque nele temos o dia a dia de Malala depois do ataque e ainda os bastidores da sua militância. O filme ainda conta com animações fofíssimas. Vemos que Malala se considera uma garota normal, apesar de ser uma das figuras mais importantes da atualidade.

Meu pai me deu o nome Malala. Ele não me fez Malala.

Toda vez que vejo alguma coisa relacionada à Malala eu tenho vontade de chorar, mas não por tristeza. Não. Tenho vontade de chorar porque o orgulho que sinto dela é muito grande. É maravilhoso ter um exemplo como ela hoje em dia. E Malala é a prova de que meninas adolescentes podem lutar por seus ideais, tem uma voz e são capazes de fazer do mundo um lugar melhor. Malala é o exemplo de que mulheres são poderosas e podem alcançar grandes coisas quando têm espaço para agir.

Malala rprior to meeting the DSG SG Meets Photo Opportunity: The Secretary-General and Ms. Malala Yousafzai Special Event: Interactive conversation to mark 500 Days of Action for the Millennium Development Goals (MDGs) Participants: The Secretary-General; The President of the General Assembly 68th session; Malala Yousafzai, Education Advocate and Co-founder of the Malala Fund; Amy Robach, News Anchor with ABCÕs Good Morning America.

Malala sendo adorável <3

Torço para que Malala seja o começo de um lindo futuro, com lindas meninas lutando por todas nós. O caminho é longo, mas juntas conseguimos. E vamos em frente.

Compartilhe:

Sobre Rovena

Rovena é de Vitória, formada em Relações Internacionais e atualmente cursa Letras-Inglês. Gosta muito de ler e ouvir música enquanto escreve. Grifinória, feminista e especialista em tretas do blink-182. Está no twitter (@rovsn).