Looping Infinito


Esses dias, enquanto tentava criar um pauta aqui para a Pólen, percebi algo que é corriqueiro em minha vida: eu nunca estou vivendo o presente. Isto é um fato, absoluto, e desde que lembro de mim, sou assim, vivo assim. A todo instante eu estou pensando num futuro, fazendo planos, sonhando. Agora mesmo que deveria estar fazendo mil outras coisas e, inclusive, estar dando atenção devida ao texto que redijo, estou com a minha mente vagando pelo final de período que se aproxima e pelas provas que terei daqui a dois e três dias.

Bom, eu, simplesmente, não consigo viver o presente, sofro de ansiedade e a todo instante fico nessa situação. Se eu deveria estar estudando para aquelas provas? Sim, deveria. Se eu consigo estudar sem já começar a me punir por não ter estudado antes e mais? Não, não consiqRZUwYGgo. Se eu consigo desligar meu cérebro e viver o que está acontecendo ao meu redor? Bom, eu tento. Entretanto, enquanto tento tirar toda essa autopressão que sobrecarrega todos os 1,65m do meu ser, outra se instala: a pressão que me imponho de viver sem me pressionar tanto com os assuntos voltados para esse futuro que tanto almejo, mas que nunca, nunca, nunca chega. E por que não chega? Porque quando ele chega, vira presente e voltamos ao ciclo vicioso de não viver o presente pensando no futuro até que o futuro vira presente etc.

Parece meio louco e, honestamente, não sei se fui capaz de explicar essa constante bagunça. Mas, a grande questão disso tudo é que há um probleminha aí. A insatisfação desse presente é, inconscientemente, tão grande, digo, eu aspiro tanto por grandes coisas e momentos fantásticos que acabo perdendo a oportunidade de fazer dos meus momentos simples, momentos fantásticos porque a todo momento estou esperando algo. Algo que, talvez, só dependa de mim para ocorrer. E, mesmo assim, mesmo que não transformasse todos os momentos em fanstásticos, não haveria problema algum nisso. A grande graça, tacada, é viver, viver o que temos. E por mais que seja incrível e maravilhoso fazer planos, é importante, sobretudo, manter os pés no chão —não no sentido de podar nossos sonhos e cortar nossas asas, mas no de não viver apenas no mundo da lua e viver mais o que a gente tem a oportunidade— e fazer com que nossa vida valha a pena. Mas, é claro, são essas só palavras de uma criança de uns dezenove e poucos anos que mal consegue seguir os próprios planos, listas de supermercado e as de afazeres.

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Sobre Yasmim Medeiros

Yasmim tem 19 anos, mora no Rio de Janeiro-RJ, é estudante de Letras- português/literaturas (na UFRJ) e o tanto que ela tem de desorganizada, tem de paixão pelos Beatles. Quando não está atolada de textos para ler e escrever, a carioca está consumindo o conteúdo infindo da Netflix e fingindo que sabe fazer algum som audível no violão.