Lies & the Lying Liars Who Tell Them: a Fair & Balanced Look at the Right


Agora que você já leu o título do livro, respire. A partir de agora, só vou me referir a ela como L&LLWTT, Ok, não, até a sigla é enorme. L&LL it is. O livro, publicado em 2003, é uma sátira escrita pelo comediante, ator e político americano Al Franken.

Escolhi L&LL (viu? bem melhor) como minha primeira leitura da aparentemente infinita lista de livros da Rory Gilmore por causa do timing. Em meio à loucura das eleições brasileiras, achei que um livro político seria no mínimo o tom adequado.

 

 

 

E foi, ainda mais do que eu achei que seria. E não sei se é influência da minha posição de aluna de jornalismo, mas eu acho que a cobertura eleitoral foi o que teve de melhor e pior nesse período. Quando a gente observa de perto, fica bem evidente o impacto que a imprensa tem. A maioria dos meus shares e RTs eram de piadas-revoltas-comentários ao vivo sobre debates e campanhas. E outra pessoa, ao escolher outro colunista favorito, compartilhava uma interpretação completamente diferente da minha.

 

 

É aí que entra L&LL. Ao contrário dos tweets sobre o Dudu Jorge e a Luciana Genro, é uma publicação bem datada. Até porque o cenário político se repete, mas estamos falando aqui de outro espaço-tempo: o fator em comum são as críticas que o livro faz.

Estamos falando dos Estados Unidos sob a sombra do 11 de setembro, no primeiro mandato do Bush, em guerra com o Afeganistão e o Iraque, etc, etc. E daí temos um comediante liberal, alvo de críticas de seus opositores republicanos. Republicanos estes que se sentiam no papel de reforçar os ideais conservadores do governo. Qualquer um que desafiasse já era ridicularizado como sendo liberal demais.

 

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Parece familiar? Eu conseguia transpor essas mesmas críticas feitas aqui no Brasil, nas eleições prestes a acontecer. Ficava evidente como diferentes veículos e colunistas tinham suas preferências políticas e, por isso, (me perdoem a frase de tia) trocavam alfinetadas entre si.

Mas nesse livro, a coisa é um pouco diferente. Ao invés das ~eleições da zoeira~, temos sérias acusações feitas por republicanos à imprensa liberal. E como Al Franken rebate isso? Simples, no maior estilo Taylor Swift. Ele escreveu um livro para satirizar azinimiga.

 

 

E o livro é hilário. Só o título já é uma ótima ironia, porque a narrativa não é, nem de perto, equilibrada. Mas até aí as colunas sobre política também não costumam ser muito justas, imparciais e balanceadas, apesar do que eles dizem.

No final das contas, essa leitura, ainda que inacabada (meu Kobo quebrou quando cheguei mais ou menos na metade) me fez perceber uma coisa: ninguém é tão imparcial quando diz que é, mas isso é uma coisa boa. Pra quem estudar jornalismo, perceber isso é fundamental e, trocando o cenário para os anos 2000 nos EUA, percebi que ele até muda, mas os personagens são sempre os mesmos.

Dá até um certo medo perceber o quanto palavras são fortes. A gente sabe disso, deduz isso, mas é na hora de ver o efeito na prática que eu percebo a força que esses jornalistas – sejam eles democratas ou republicanos, petralhas ou coxinhas – têm. E quer saber? Eles não fazem muito bom uso disso.

Rory Gilmore Book Project é uma iniciativa de ler todos os livros que a nossa queridíssima personagem leu durante as sete temporadas de Gilmore Girls. Como isso é, tipo assim, impossível (até porque ela deve ter lido mais que qualquer pessoa conseguiria na vida), minha missão aqui é tentar ler o máximo que eu conseguir e contar pra vocês como foi. Espere de ficção à grandes reportagens, de romance água com açúcar a suspense: Rory Gilmore lê de tudo. E agora, eu também. 

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Sobre Lorena Pimentel

Paulistana que preferia ter mar, entusiasta do entusiasmo, Grifinória com medo de cachorros, defensora de orelhas pra marcar livros, não gosta de açúcar, colecionadora de instagrams com fotos de bebês, oversharer no twitter (@buzzedwhispers) e uma eterna vontade de ter nascido Rory Gilmore.