“Jurassic Park”, Michael Crichton


Texto: Rovena Naumann

A história de Jurassic Park é aquela que todos conhecem: cientistas descobrem uma maneira de clonar dinossauros através do DNA encontrado nos fósseis. Começa, a partir daí, uma corrida contra o tempo para fazer com que essas criaturas jurássicas voltem à Terra. Um homem velho e rico, movido pela ganância, decide criar um parque de diversões/zoológico e os dinossauros seriam as grandes estrelas. Mas é claro que alguma coisa tinha que dar errado porque nós estamos falando de seres que simplesmente não podem ser mantidos em cativeiros.

jurassic park portão

Eu poderia passar horas falando sobre esse livro, mas juro que vou me controlar. Jurassic Park me fez pensar muito. Mais do que pensei com o filme. No livro, há muito mais do que apenas um parque com clones de dinossauros. Ele fala sobre todas as empresas que estão lucrando com essa descoberta, sobre os investimentos que são feitos às cegas e, principalmente, sobre a ilusão do homem.

Dinossauros não podem ser controlados. Isso é um fato. Uma coisa bastante óbvia, até. Mas não para aqueles cientistas malucos do livro. Não, eles achavam que era possível sim controlar esses animais. Era só colocá-los dependentes de lisina, dessa forma eles não sobreviveriam fora da Isla Nublar; ou fazer mudanças genéticas cada vez que um dinossauro apresentasse um comportamento inesperado (inesperado para quem? Afinal, todos sabem que o Rex, por exemplo, é carnívoro. Ele come carne. Ele come gente….). Ele viam os animais como produtos, e isso fica ainda mais claro quando as personagens comentam que versões em miniaturas estão sendo feitas para as crianças levarem para casa como bichos de estimação.

Eles ainda acreditavam que era possível controlar a reprodução dos dinossauros, mesmo fazendo uma mistura de DNAs. Nunca passou pela cabeça de algum deles de PESQUISAR o que eles estavam misturando? Todos os animais eram fêmeas, portanto elas realmente não poderiam ter bebês. Até que isso acontece. E acontece porque, na hora de completar a carga genética, eles adicionam DNA anfíbio, e de uma espécie que é capaz de fazer mudança de gênero naturalmente, de acordo com a necessidade do seu ambiente.

Além disso, toda a ideia do parque/zoológico não passava de uma ilusão do Sr. Hammond. Ele realmente acreditou que seria possível criar um ambiente para essas criaturas que foram extintas a bilhões de anos atrás e ainda achou que a convivência delas com os humanos seria de boas. O que poderia dar errado, não é mesmo? Se eles podem prever o comportamento dos dinossauros e podem controlá-los, qual seria o problema?

rex drama

Aproveitando que toquei no Sr. Hammond, vamos falar desse homem extremamente jumento (na falta de palavra melhor). Sabe aquele velhinho simpático dos filmes? Esqueça essa personagem. O Hammond do livro é cruel, ganancioso, ridículo e, muitas vezes, até infantil. A sua forma de ver os dinossauros é simplesmente patética. Hammond acredita que, porque financiou todo o processo de clonagem, os dinossauros são dele e devem obedecê-lo.

O que me leva a um outro pensamento: os dinossauros e o seu comportamento dentro do parque. Nós não temos como saber o que se passa dentro da cabeça dos dinossauros. Durante a história, várias vezes as personagens comentam que os dinossauros deveriam morrer, porque eles são assassinos. Sim, eles são. Mas todos nós sabemos disso. Agora imagine que esse animal está preso em uma jaula, num ambiente totalmente diferente daquele que é o correto para ele. Até que ponto os dinossauros estavam matando por diversão? Será que ali não envolvia também uma forma de se proteger da ameaça desconhecida?

Isso me lembrou da situação das baleias orcas que estão presente nos vários parques ao redor do mundo. Elas também são consideradas assassinas, mas pesquisadores afirmam que não há ataque de orca ao humano na vida selvagem. Muito pelo contrário, elas são até amigáveis. Claro que esse não é o caso de um Tiranossauro Rex, por exemplo, porque ele não seria amigável mesmo. Mas as orcas atacam e matam seus treinadores. E a culpa é sempre do treinador ou da baleia. E por que não seria do parque? Você tirou um animal da sua casa e o trancou em um tanque minúsculo, onde ele é obrigado a morar com outras baleias de culturas diferentes da sua, e ainda obriga a orca a trabalhar várias vezes por dia, causando situação de estresse extremo e desgaste físico e emocional. Será que o mesmo não poderia acontecer com os dinossauros, até mesmo os herbívoros?

A única coisa que sei é que, apesar de tudo, fica um pouco difícil não torcer para os dinossauros em alguns momentos. Outra vezes eu só queria gritar DINOS, REMEMBER WHO THE REAL ENEMY IS!!!!!!!!

rex centro de visitante

Jurassic Park é um livro com tudo aquilo que nós podíamos imaginar que seria: aventura, drama e muito sustos! Tem muita ciência sim, mas a explicação é tão mastigadinha que a leitura não fica nada cansativa (falo isso levando pro lado pessoal mesmo, porque eu não me entendo muito bem com ciências). Se você ama o filme, você vai amar o livro. Se você nunca viu o filme, você também vai amar o livro. E se você simplesmente ama dinossauros, esse livro também é para você.

Original: Jurassic Park
Autor: Michael Crichton
Editora: Aleph
Nota: 5 estrelas

Compartilhe:

Sobre Rovena

Rovena é de Vitória, formada em Relações Internacionais e atualmente cursa Letras-Inglês. Gosta muito de ler e ouvir música enquanto escreve. Grifinória, feminista e especialista em tretas do blink-182. Está no twitter (@rovsn).

  • Polie

    Preciso muito desse livro. @.@ O filme é tão para família. (?) O livro parece abrir para mais discussões, provavelmente vou torcer para os dinossauros também. shusahuash Ficou ótima a resenha! bjs