Invisível – Editorial #34


Arte: Marília Pagotto

O que você faria se fosse invisível? Na ficção, a invisibilidade é rara e invejável, dada a super-heróis em acidentes espaciais, ou passada a um “escolhido” por meio de um conveniente objeto mágico, e sempre promete grandes possibilidades e aventuras.

Na vida real, lutamos pela visibilidade.

Nas nossas mãos, sempre temos o poder de acabar com a invisibilidade. Uma das nossas especialidades em qualquer área é transformar o invisível em algo a ser apreciado por nossos olhos.

Encontramos a matéria-prima certa, um meio, ferramentas e trabalhamos. Pegamos os segundos quase invisíveis do sol se movendo no céu e fizemos ponteiros. Um cuco ou sino tocando a cada hora. Marcamos o passado e programamos o futuro.

Mesmo para as ideias mais absurdas, encontramos palavras. Para essas, buscamos os meios para que sejam vistas, ouvidas, sentidas.

Nosso maior poder é a capacidade de escolher o que será visível. A maior dificuldade é primeiro encontrar o invisível.

Solidão, por exemplo, é algo invísivel e nos deixa mais ainda. Saudade é sentir a presença de alguém que não podemos ver. Nostalgia é ver em colorido uma memória que já apagou.

Até porque, também, algumas das melhores coisas da vida não são palpáveis. Nós usamos metáforas para descrever amores e tentamos traduzir sentimentos em forma de arte, mas é difícil mesmo tornar material o que pensamos, o que sentimos, o que só podemos ver quando estamos em perfeita sintonia uns com os outros.

Na vida, tentamos traduzir esses invisíveis. E, com isso, trazê-los à tona.

A gente jura que a Milena é de verdade, bem visível, e não uma amiga imaginária.

 

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