Intensidade emocional


Texto: Ariel Carvalho

 

Talvez a banda mais amada/odiada dos brasileiros seja Los Hermanos, mas eles são responsáveis por uma frase que soa muito verdadeira para mim: “quem é mais sentimental que eu?”.

Apesar de ser um grande clichê, ela é, como eu disse, uma verdade. Faço parte do grupo de pessoas que sentem demais, cuja intensidade emocional é tão forte que em alguns dias não cabemos dentro de nós mesmos.

Ser tão intenso pode ser uma bênção e uma maldição. Por um lado, qualquer alegria é uma grande alegria, e geralmente somos muito empolgados com a felicidade alheia – nossa intensidade é tão grande que consegue chegar no outro e ainda sobrar.

Outro ponto legal é que, justamente por sentirmos tanto e conseguirmos sentir o que o outro sente, é fácil dar conselhos, e sempre nos elogiam dizendo que somos bons ouvintes. Sem falar que qualquer elogio é uma coisa enorme para nós, porque qualquer carinho nos deixa extremamente felizes.

O grande problema é que não dá para ser intenso só na alegria. Conviver com suas emoções é um verdadeiro casamento e, como os votos tradicionais dizem, na tristeza também. Se ficamos extáticos com as coisas boas, ficamos devastados com as ruins.

14572826_10210710173814047_3952407144557001775_nAssim como esquecemos todas as tristezas quando estamos bem, é fácil apagarmos da memória qualquer rastro de sentimentos bons quando o dia é triste. Karly Pitman escreveu, bem melhor do que eu, um ótimo texto sobre abraçar seus sentimentos negativos e aprender a conviver com eles. Vale a leitura.

tumblr_m3bh01fqcr1rqixyto1_500Às vezes, também, é um pouco esquisito: não sabemos bem por que estamos chorando, ou rindo histericamente, e é bem fácil estarmos em um extremo ou outro.

Já culpei todo o meu mapa astral – canceriana com Vênus em Câncer – e sabe-se lá se é culpa dele de fato; o que eu sei é que sinto muito, mas cansei de pedir desculpas por isso.

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Sobre Ariel Carvalho

Ariel é uma lua de Urano, um espírito do ar, um sabão em pó, uma marca de carro e uma pequena sereia, mas também é uma bibliotecária carioca que não consegue terminar a meta de leitura, sabe tudo de Monty Python e chora com filmes de ficção científica.