How to talk to girls at parties, de John Cameron Mitchell


Esqueça qualquer expectativa que você tem com relação a essa adaptação. Sua imaginação não vai conseguir chegar aos pés da obra de John Cameron Mitchell.

O filme, que ainda nem estreou nos cinemas estrangeiros, teve algumas sessões no Festival do Rio, chegando até a ser indicado ao Prêmio Felix – um prêmio dentro do festival que premia o melhor filme com temática LGBTQ.

O diretor se baseou, é claro, na obra de Neil Gaiman. Sim, a mesma que deu origem à adaptação em quadrinhos pelos gêmeos Moon e Bá. Originalmente, a história era um conto que acompanhava um adolescente britânico durante uma das experiências mais complexas da vida de qualquer garoto hétero: puxar papo com uma menina.

A adaptação de Mitchell, por outro lado, é muito mais do que isso. Ele se aproveitou do fato do conto ser curto para dar asas à sua imaginação extremamente fértil (John é o diretor e autor de filmes como Shortbus e Hedwig e o Centímetro Enfurecido).

O elenco é outro ponto. Apesar de contar com Nicole Kidman, as caras menos conhecidas são as mais incríveis, e Elle Fanning (que interpreta a alien Zan), como sempre, brilha demais, ofuscando levemente seus colegas de cena.

Enn, o protagonista, agora é um entusiasta do punk na Inglaterra dos anos 1970. Ele e seus amigos têm o próprio zine e saem durante as noites procurando um lugar para ouvir música boa. Mitchell mantém a essência do conto e, nos primeiros minutos do filme, realmente é fiel à história original.

A doideira real começa quando o conto de Gaiman acaba e John toma as rédeas da história. É um filme fantástico, misturando aliens e punk e os dilemas adolescentes. Causa desconforto, mas suspeito que seja porque não estamos acostumados a ver um filme assim.

Vou mais além, e me atrevo a dizer que How To Talk To Girls At Parties é o Rocky Horror dos anos 2010. Em algumas partes, é provável que você se pegue franzindo a testa, não entendendo bem o que está acontecendo na tela à sua frente, mas incapaz de desviar o olhar.

A sensação que tive é a de que, caso Neil Gaiman continuasse a história, seria exatamente o que John Cameron Mitchell fez. Aliás, a cena final me deixou tão encucada que gostaria de poder perguntar ao diretor se estava certa no meu pensamento.

É uma obra revolucionária, diferente de qualquer coisa que esteja sendo feita atualmente e, se me perguntarem por que achei o filme tão espetacular, confesso que não sei bem o que dizer. Obviamente, gostei demais do que vi, mas não consigo dizer o que, de fato, me fez gostar tanto dele.

 

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Sobre Ariel Carvalho

Ariel é uma lua de Urano, um espírito do ar, um sabão em pó, uma marca de carro e uma pequena sereia, mas também é uma bibliotecária carioca que não consegue terminar a meta de leitura, sabe tudo de Monty Python e chora com filmes de ficção científica.