Feliz Ano Novo. Adeus, vida velha


Texto: Bia Breviglieri // Ilustração: Luísa Granato

Todo 31 de dezembro é a mesma história: superstições (ou “sortinhas,” como diria minha avó) e promessas são feitas para o ano que está para se iniciar, fazemos listas com o que queremos mudar em nossas vidas e festejamos um novo ano, em geral, de branco.

Essa cor, que a maior parte da população brasileira “pegou emprestado” das vestimentas tradicionais do Candomblé, também simboliza ao meu ver, a virada do ano. A clean slate, a fresh start,  como diriam lá fora. Um recomeço ou uma página em branco, para nós.

Mas será mesmo que isso é real ou só coisa da nossa cabeça? Partindo para o fator histórico, a mudança de um ano para o outro nunca foi a mesma. Até a determinação do Calendário Gregoriano – uma junção do calendário Romano Juliano lunar e do ano solar –  como o oficial para toda a cristandade, no ano de 1582 d. C, quando meses e datas específicas foram firmadas, cada povo contava dias, meses e anos de maneiras muito diferentes.

A definição de um tempo comum cria um senso de unidade que também ajuda no lado psicológico do entendimento e processamento do tempo que temos nos dias atuais.  Falando em psicologia, segundo o professor em vícios comportamentais Mark Griffiths, da Nottingham Trent University, as resoluções de fim/início de ano muitas vezes tomam a forma de mudanças no estilo de vida e no comportamento que tínhamos previamente e se tornaram hábitos.

O problema com essas resoluções, segundo ele, é que elas são pouco realistas e podem fazer com que as pessoas sejam afetadas pela chamada “Síndrome da Falsa Esperança”, que ele define como as expectativas irreais que uma alguém tem sobre o quão fácil e eficaz as mudanças de seu comportamento serão à curto prazo.

Um outro especialista em saúde mental, Christopher Armitage, da University of Manchester, aponta para esse processo de mudanças, a importância da rotina e determinação de condiçõesintenções em seu dia-a-dia. Segundo o ele, ao implementar condições para que determinada atividade seja feita, você tem uma tendência maior a cumprí-las.

Ou seja, o começo de um novo ano não serve nem de parâmetro para abandono do passado, nem de promessas para o futuro. Cada dia pode ser um novo começo. Não precisamos esperar 31 de dezembro/ 1 de janeiro para estimular novas metas e começar a mudar – com cautela e sem pressa – nossos hábitos e comportamentos. A rotina pode ser alterada a qualquer momento. Lembre-se, o tempo – seja ele do calendário ou do relógio – é apenas uma convenção. Cabe a cada um de nós determinar, quando e como queremos mudar e nos transformar.

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