Expandir limites – Editorial #27


Arte: Gabriela Amorim

Você já parou para pensar que estamos limitados à nossa própria consciência? Se não, desculpa por criar esse nó no seu cérebro. Mas limites são o tema da Pólen em fevereiro e para lidar com eles, temos que entender que somos naturalmente seres limitados.

No dia-a-dia  lidamos com limites: em especial, os pessoais. Eles podem ser restritivos e fazer com que sua zona de conforto seja pequena, mas entender nossos limites pessoais é também parte de nossa personalidade. Nossos gostos, nosso jeito de interagir, nossa vontade de fazer as coisas: tudo isso é dito pelo que achamos que é nosso limite. Se você for uma pessoa que gosta de passar tempo do lado de fora, vai chegar uma hora em que ficar preso dentro de casa em um dia de chuva chega ao seu limite. Ao mesmo tempo, se alguém aí preferir não conversar com ninguém por algumas horas, um dia fora de casa pode ser exaustivo. É uma questão de perspectiva, mas isso é porque somos seres limitados em nossa vivência.

Não que esses limites pessoais sejam só psicológicos.Os limites físicos também fazem parte de quem nós somos. As fronteiras pelas quais passamos, nosso relacionamento com nossos corpos, os espaços que ocupamos no dia-a-dia. Desde seu trajeto de ônibus diário que corta diversos bairros, tão diferentes que nem parecem fazer parte da mesma cidade, até a vontade de matar o colega de trabalho que se debruça sobre sua mesa.

Já as histórias, simplesmente por existirem, nos colocam em contato, ainda que por um tempo reduzido, com outras consciências. Entrar de cabeça em uma narrativa é se colocar na cabeça e na vivência de outra pessoa durante aquelas páginas. É por isso que leitura expande horizontes: porque ela desafia limites da nossa existência. É claro, o mesmo pode ser dito sobre qualquer mídia, mas a característica não-visual de livros permite que nossa imaginação se solte.

Nossa relação com o mundo é, por natureza, limitada. É preciso fazer um esforço para lembrar disso, para lembrar que nem tudo está demarcado e que limites podem ser expandidos e mudados dependendo da situação. Entender como nós lidamos com nossos próprios limites – sejam eles físicos, mentais ou existenciais – é o plano da Pólen para fevereiro. Nos vemos do outro lado.

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