“Estrelas Perdidas”, Claudia Gray


Texto: Rovena Naumann

Original: Lost Stars
Autora: Claudia Gray
Editora: Seguinte
Nota: 5 estrelas

Quando a Disney adquiriu a franquia de Star Wars, ela fez uma grande mudança em relação aos livros que haviam sido lançados até então. Vários autores escreveram suas histórias dentro do universo de Star Wars e criaram o que ficou conhecido como o Universo Expandido. Com a Disney, todo esse universo deixou de existir e todas aquelas histórias não faziam mais parte do cânone. Foi assim que a Disney decidiu começar um novo caminho e então surgiram as novas histórias. Chamadas de Jornada para Star Wars: o despertar da Força, esses livros têm o objetivo de preparar o leitor para as novas aventuras que chegarão aos cinemas no dia 17.

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Estrelas Perdidas, escrito por Claudia Gray, faz parte desses novos livros cânones. E que livro, viu? Desde a primeira vez que ouvi falar sobre essa história, fiquei extremamente curiosa e corri atrás de informações. Quando descobri que ele seria lançado no Brasil, meu coração deu pulos de alegria. Quando pude ler, a sensação foi a mesma de um sonho se tornando realidade. Estrelas Perdidas é considerado um dos melhores livros de Star Wars e, sim, ele é tudo isso.

Ciena e Thane se conheceram quando ainda eram crianças, no dia em que o Império chegou no afastado planeta da Jelucan. Ambos tinham o mesmo sonho: pilotar as naves imperiais. E isso se realiza. Aos 16 anos, eles são aceitos na Real Academia Imperial em Coruscant e começam o treinamento. Eles descobrem que a amizade está se transformando em uma outra coisa, mas nada será muito fácil, já que oficias do Império não podem se relacionar enquanto estudam. A relação dos dois complica ainda mais quando Ciena permanece fiel ao Império e Thane se vê cada vez mais do lado da Aliança Rebelde.

Nessa história,  presenciamos todos os principais acontecimentos dos episódios IV, V e VI. O mais legal é que vemos tudo isso acontecer através de um outro ângulo, pelos pontos de vista de Ciena e Thane. Achei que deu um pouco mais profundidade para a história. Ainda assim, Estrelas Perdidas tem a sua originalidade. É uma história diferente daquela que vimos nos cinemas. E é nisso que esse livro ganha tantos pontos. O livro ainda dá algumas dicas sobre o episódio VII. O final não foi tão feliz como nós imaginamos.

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Uma parte em especial chamou muito a minha atenção durante a leitura. Quando Thane está em Kerev Doi, a serviço do Império, ele vê o que está acontecendo com o povo reptiliano (os bodach’i). Eles foram transformados em escravos. Thane vê um menino zombando desse povo e percebe que as crianças são levadas a praticar atos preconceituosos através dos adultos. Não é muito diferente da vida real, não é mesmo?

Era assim que o mal ganhava mais espaço. Criava raízes nos jovens e crescia junto com eles. Cada geração elevava o abuso a outro nível.

Já Ciena, apesar de ser manter fiel ao imperador, começa e ver o lado podre do Império e a se questionar se aquele realmente era o lado certo. Ela acredita que as pessoas boas que estão lá dentro seriam capazes de mudar as ruins. E foi assim que a autora deu um lado mais humano ao Império, colocando trabalhadores que acreditavam estar fazendo o certo e o melhor para a galáxia. Pessoas que tentavam ajudar naquilo que podiam e que ficam revoltadas quando viam o que estavam acontecendo com os planetas e os seus povos.

E ainda falando da Ciena, ela tem uma coisa muito fofa e adorável. Ciena nasceu gêmea, porém Wynnet morreu poucas horas depois do parto. A garota, se sentindo responsável pela irmã morta, decidiu que viveria mostrando para a sua gêmea todos os momentos mais importantes e felizes de sua vida. Para isso, ele falava “veja pelos meus olhos”.

Um dia, quando entrarmos na academia, vou mostrar as estrelas pra ela.

E o romance? Gente, que coisa mais linda. O amor entre Thane e Ciena é complicado por vários motivos. Os dois vieram de famílias e criações diferentes, Thane era rico e Ciena, pobre; suas visões políticas eram completamente diferentes e eles eram mesmo proibidos de se relacionarem. Mas nada disso impediu o que os jovens fossem felizes. Eles se ajudavam quando podia, tentavam se salvar e estavam sempre correndo volta um para o outro. Um pouco irreal, talvez, mas mesmo assim, encantador. Durante toda a leitura temos lembranças dos dois ainda crianças. É uma coisa muito fofa.

OK, OK, mas vamos conversar sobre Thane perguntando quem é Han Solo, depois ficando incomodando com Luke Skywalker e depois amando a princesa Leia? Momento glorioso.

Estrelas perdidas é uma história sobre amor, amizade, família, honra e lealdade. E é um livro indispensável para qualquer fã de Star Wars e amante de boas histórias. Você não vai se arrepender (disse a louca por Star Wars, mas sim, estou apenas falando a mais pura verdade!!).

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Sobre Rovena

Rovena é de Vitória, formada em Relações Internacionais e atualmente cursa Letras-Inglês. Gosta muito de ler e ouvir música enquanto escreve. Grifinória, feminista e especialista em tretas do blink-182. Está no twitter (@rovsn).