Espelho, espelho meu – Editorial #8


Ao contrário de madrastas do mal, a maior parte das pessoas tem alguma dificuldade com aparências. Não necessariamente a própria – ainda que autoimagem seja uma questão importante -, mas primeiras impressões não costumam estar certas. Você pode julgar mal alguém que acabou de conhecer, alguém com quem sequer trocou uma palavra, um livro pela capa, uma cidade pelos prédios, uma história pelo fim (ou pelo começo).

A questão é que estamos fadados a entender o mundo pela nossa própria visão de mundo que, coitada, é bem limitada. Pra piorar tudo, temos a irritante mania de achar que ela está sempre certa. A gente bate o olho e acha que entendeu tudo, ouve uma conversa e se considera especialista no assunto. E nisso vamos limitando nossa capacidade de empatia. Até mesmo por nós mesmos. Como seria bom entender as batalhas que os outros estão travando antes de bater o martelo do julgamento. E como seria melhor estender esse privilégio a nós mesmos.

Quando uma menina se olha no espelho e sente vontade de ser qualquer coisa diferente do que é. Quando uma possível amizade permanece no vácuo da não-existência porque as duas partes envolvidas não se reconheceram. Quando crianças aprendem a estabelecer rótulos e hierarquias sociais antes mesmo de aprender a se colocar no lugar do outro. Quando uma sociedade inteira se antagoniza porque enxerga no outro o perigo, e não o pedido de ajuda. A Pólen quer voltar a esses momentos e fazer um apelo: vamos olhar de novo. Vamos dar chances a nós mesmos, desenvolver nosso senso de empatia e imaginar que cada um é um universo muito mais complexo do que parece.

Entre cada prédio pode ser um muro grafitado onde a arte resiste. Dentro de cada livro feio pode ter uma história bonita (que talvez também seja mal-diagramada, mas a vida continua). Em cada conversa que não aconteceu tem a possibilidade da maior conexão do mundo. A cada história história que termina mal, existe um segundo de existência que valeu a pena. Cada um está ocupado lutando a própria batalha, mas se olharmos duas vezes, talvez seja possível perceber que elas não são tão diferentes assim.

 

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  • David de Oliveira

    Vamos Olhar de novo!!!
    Lindo!