Escolhendo seu caminho: text-based games


Não sou uma pessoa muito ligada em videogames. Tive meus consoles ao longo dos anos – um Super Nintendo, um Gameboy Color, um Wii – e minha época de vício em The Sims, Sim City e Pokémon, mas hoje em dia não é algo que me envolve muito. No máximo jogo coisas simples e curtas no celular (no momento estou com o hábito de jogar Platypus Evolution, um joguinho para lá de esquisito, cheio de ornitorrincos alienígenas). Mesmo assim, uma categoria de jogo que me fascina é o text-based game, ou seja, jogo com base em texto, um formato que é, na realidade, uma história que você lê e com a qual interage.

Talvez vocês lembrem de livros com esse tipo de premissa – não tenho visto muitos nas livrarias, mas eram razoavelmente populares quando eu era criança. Nos livros, em geral um capítulo curto acabava com uma lista de opções do que você, como protagonista fictício daquela história, poderia fazer em seguida, te indicando a página que prosseguiria a narrativa para cada uma das escolhas. Nos jogos, porque a tecnologia permite coisas diferentes, é só clicar na opção e o capítulo seguinte aparece, o que torna a leitura bem mais fluida (ficar procurando a página e acidentalmente ler parte de outro capítulo atrapalhava bastante a leitura dessas histórias interativas).

Outra vantagem desses jogos – tanto em relação aos livros parecidos quanto em relação a outros tipos de jogos – é que, para fazer um, você na verdade só precisa saber escrever. Claro, é preciso saber escrever de acordo com um tipo bem particular de regras, mas não é preciso saber desenhar ou animar ou criar vídeos ou programar um aplicativo; é tudo texto, texto e mais texto.

E tudo ser texto, texto e mais texto também me deixa bem mais envolvida, como leitora, do que um jogo mais “completo” (com componentes visuais e de movimento, por exemplo) – acho que é uma questão dos meus hábitos de leitura, de me envolver mais com texto do que com imagem, mas jogar essas histórias interativas me toca de forma que outros formatos não me tocam. Além disso, também atribuo ao fator texto (e sua maior simplicidade de produzir/consumir) o fato de que vários text-based games por aí parecem envolver temáticas queer e subversivas, o que me atrai muito em uma narrativa.

Se você se interessou pelo formato e quer experimentar, o jogo que mais me emocionou recentemente foi “Choice of Robots” (em inglês), da empresa Choice Of, que é especializada nesse tipo de formato (ando super curiosa para explorar os outros jogos deles!). Os primeiros capítulos de “Choice of Robots” são gratuitos, aí você pode optar por pagar para continuar se a história estiver te prendendo (eu paguei sem pensar duas vezes). Se você for como eu e gostar de spoilers e de resenhas antes de começar, foi este texto do Autostraddle que me convenceu. Outas boas indicações são “Until our two alien hearts beat as one”, feito para jogar com outra pessoa (em um mesmo computador), e o levemente desesperador “Queers in love at the end of the world”, da maravilhosa Anna Anthropy (cujo site todo funciona nesse mesmo formato), que leva só 10 segundos para jogar. Aparentemente a criadora do “Until our two alien hearts…” também tem dois outros jogos incríveis, mas que ainda não joguei: “howling dogs” e “Cry$tal Warrior Ke$ha”.

Se você se interessou tanto que, além de jogar, tem vontade de aprender mais sobre o formato e como você pode fazer o próprio jogo, recomendo esse texto no Autostraddle (que contém algumas indicações de jogos também) e esse guia de Twine (o programa usado para criar a maioria desses jogos) que a Vanessa escreveu para a Capitolina.

Compartilhe:

sotersofia@gmail.com'

Sobre Sofia

Sofia tem 25 anos, mora no Rio de Janeiro e se formou em Relações Internacionais. É escritora, revisora, tradutora e editora, construindo passo a passo seu próprio império editorial megalomaníaco. Está convencida de que é uma princesa, se inspira mais do que devia em Gossip Girl, e tem dificuldade para diferenciar ficção e realidade. Tem igual aversão a segredos, frustração, injustiça e injeções. É 50% Lufa-Lufa e 50% Sonserina.