Editorial #19 – Famílias terrivelmente felizes


Texto: Lorena Pimentel e Milena Martins

Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira. Tólstói já tentou nos avisar.

Famílias são inevitáveis. Tem as de sangue, aquelas pessoas que variam de morar sob o mesmo teto e gritar umas com as outras por causa do volume da TV até quem se vê uma vez por ano nas festas de Natal. É possível que você seja super ligado à sua, ou talvez tenha até saído do grupo de Whatsapp pra evitar memes sobre política. Provavelmente ambas as coisas.

Tem diferentes tipos de conexão também. Sua relação com aquele primo nem deve vir à cabeça como próxima, mas seus irmãos talvez sejam as pessoas que melhor te entendem, mesmo que briguem metade do tempo.

Tem as famílias que a gente escolhe também. Você lembra daquela moda no Orkut de colocar a melhor amiga como irmã? Era bem sintomático. Os amigos de infância – que te conhecem desde a época em que você ficou banguela – sabem de tudo sobre a sua vida. Aquela amiga com quem você troca e-mails sobre questões emocionais também. Vemos o pessoal chamando torcida de time de futebol de família porque significa muito pra eles. Ou fandoms, porque quem entende seu amor por Harry Potter melhor que as pessoas que liam as mesmas fanfics que você?

Famílias são inevitáveis por diferentes motivos: às vezes você nasce nela e não tem como escolher, às vezes você passa pela vida fazendo das pessoas que mais te amam e mais te apoiam a sua própria família. De todo jeito, não tem como escapar delas. A questão em comum entre todos esses tipos é sempre o sentimento de conexão, de compreensão. É com a sua família – seja ela qual for e como for – que você se sente cem por cento você mesmo. Famílias costumam ser nossos espaços seguros.

Mas nem tudo são flores, claro. Famílias disfuncionais estão por todos os lados. Nossos maiores traumas também costumam estar relacionados aos nossos familiares. Você já parou pra pensar no tamanho do controle que os seus pais exercem sobre você? Essa é parte mais interessante. Quando olhamos de perto, nenhuma família é normal. Se dividíssemos em categorias como as de Tólstoi, quantas seriam as famílias realmente felizes? E as disfuncionais, essas não podem ser felizes também?

Em junho a Pólen quer pensar e repensar nossas conexões e nossos laços. Vamos falar das nossas famílias fictícias preferidas, daquelas que abominamos, das nossas próprias. E a sua família? Ela é igual a todas as outras ou é disfuncional à sua maneira?

 

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