O que é você? – Editorial #9


Por Lorena e Milena

Lembra quando te falaram pra ser você mesmo? Será que a intenção era preencher algum silêncio constrangedor ou a pessoa realmente achava que é possível ser muita coisa além do que você realmente é? Mesmo que essa coisa de ser exatamente o que somos pareça tão óbvia, construir o que chamamos de personalidade é bem mais complexo.

Identidade é algo difícil de concretizar, justamente porque é tão subjetiva. Tudo e qualquer coisa pode ter uma influência sobre a pessoa que construímos para nós mesmos. Mas o que forma isso de ser? É a cor do nosso cabelo ou nossa preferência por filmes iranianos que só são exibidos em cinemas de rua? Ou nada disso?

Há quem diga que a personalidade é um mito e há quem defenda a beleza dos detalhes específicos de cada pessoa. A identidade de cada um fica perdida em algum meio-termo. Talvez ainda sejamos iguais a quando nascemos ou talvez você seja o resultado de tudo que já te aconteceu na vida. Quem é você depois que o mundo passou por cima de você ou depois que você passou por cima dele?

Talvez os detalhes não sejam tão relevantes mesmo. Mas acreditamos que a beleza está no conjunto. Existe um tipo de poesia em olhar no espelho examinando as próprias linhas de expressão e sabendo a origem de cada uma. E existe um tipo imbatível de poesia em estar no meio de uma multidão e sentir que cada um entende as próprias marcas com a mesma intimidade que você.

Em tempo, os colaboradores da Pólen: somos (ou fomos) todos universitários, mas entre as Letras gaúchas e as Letras das terras obscuras do Butantã, nem todas as experiências foram as mesmas. A maior parte de nós se identifica – ou gostaria de se identificar – como escritores, mas só alguns seguem o caminho das artes.

Há quem tenha o mesmo nome, mas tenha nascido em cidades diferentes. Os fãs de inverno e os que aguardam dezembro ansiosamente para poder sair de chinelo. O pessoal que gosta de música pop, o professor, os que amam a profissão e os que mudaram de ideia. E, ainda que exista o núcleo paulistano e o núcleo carioca, a verdade é que nossas maiores diferenças acontecem em torno de casas de Hogwarts.

Temos múltiplas identidades. Algumas se combinam, outras rivalizam, há ainda as que se sobrepõem. Juntos somos uma coisa, separados somos coisas muito diferentes. Mas acreditamos que devemos celebrar cada uma delas.

 

P.S.: Já que o tema é identidade, queremos aproveitar para reforçar a nossa. Em agosto, vamos fazer um recorte e falar somente de literatura brasileira.

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