Com cinco ou seis retas – Editorial #28


Texto: Lorena Pimentel e Luísa Granato // Arte: Clara Browne

Todo mundo nasce artista. Usando cola e areia, pintando com os dedos, rabiscando com giz nas paredes e colorindo desenhos fora das bordas – de qualquer jeito, em algum momento, você fez arte. Pode ser que nem sua mãe soubesse dizer o que os seus rabiscos significavam, porém o intuito de criar algo já estava lá.

Aqui entra o controle de qualidade. Aos poucos, vão te contando quem são os verdadeiros artistas, os mestres e suas obras-primas. Olha bem a Mona Lisa: a técnica, as proporções, o sorriso. As cores e pinceladas de um Van Gogh. Se for Picasso, vale quebrar todas as regras em um quadro cubista.

E, então, arte se torna outra coisa. Não um processo criativo, mas o quadro pronto e icônico. Somente aquilo que já está no museu.

Quando fazemos arte, colocamos experiências, sentimentos e valores em um pedaço de papel, uma tela, uma parede. É uma inquietude que transborda da mente para o papel. A ideia é deixar que a vulnerabilidade inspire e se transforme em algo de que você tem orgulho. Mas como se orgulhar da própria arte se você não se considera artista? O conceito artista é subjetivo, mas seus efeitos estão em todos nós.

A única coisa que rivaliza na subjetividade com fazer arte é falar sobre arte. Quando escolhemos o tema deste mês, caímos na questão: o que é arte? E quem pode decidir isso? Claro, há quem coloque julgamentos sociais sobre isso – fica aqui a polêmica do grafite – ou fãs de um estilo de música que questionam a existência de outro. Mais que isso, tem uma carga sentimental envolvida. Se você se sente conectado com algo que alguém criou – uma música, um filme, uma pintura, um poema – é arte, certo? Como a gente escolhe do que falar quando quer falar sobre tudo?

 

 

A edição de março tem uma novidade: a Pólen ganhou uma nova editora! Enquanto Milena está passando uma noite no museu (desvendando o mistério de uma quadrilha internacional de ladrões de arte), a Luísa Granato vai cuidar com carinho do site em seu lugar.

Pra conhecer melhor a nova editora: Luísa é paulista, tem 25 anos e recentemente se formou em jornalismo. Ela pertence à Grifinória, mas acredita que todos deveriam tentar ser Lufa-Lufa. Gosta de contar histórias de várias maneiras, escrevendo, entrevistando ou desenhando. Um sonho dela? Fazer a #polencast pegar.

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