Editorial #18 Onde esta(re)mos?


Texto: Milena Martins // Arte: Livia Carvalho

Boa parte da nossa vida e de quem somos é uma medida espacial: onde você nasceu? Onde você mora? Aonde você está indo? Nossas melhores e piores lembranças ficam atreladas ao espaço, e da mesma forma que os cheiros têm a capacidade de trazer tudo de volta, pisar novamente em algum lugar importante pode fazer com que tudo seja revivido com clareza.

Ocupamos nossos espaços da forma como podemos. Nossos quartos tendem a ser nossa zona de segurança, nossos lugares favoritos da cidade acabam em fotos ou marcações em aplicativos, um dia chegamos a fazer check in aonde quer que fossemos. Quando podemos, colamos nossas memórias nas paredes, uma forma de deixar marcado o que importa pra gente.

Da mesma forma, construímos espaços que são quase abstrações. Espaços seguros ou espaços tóxicos. Aquele seu grupo de amigos, com quem você se sente à vontade pra falar. Um grupo no facebook que reúne várias histórias importantes pra você. Seu canto favorito na faculdade. Os entre-lugares de quando você está no aeroporto esperando pra ir de um ponto a outro. Não importa: pra onde quer que olhemos, encontramos espaços significados e resignificados pela nossa própria experiência.

Além de tudo isso, existe o espaço ainda não explorado. Viagens no tempo e entre planetas, lugares que já deixaram de existir, estrelas que já morreram mas continuam no nosso campo de visão, a vida entre as explosões de milhões de estrelas. A forma como ocupamos o espaço e pensamos sobre ele diz muito sobre quem somos. Em maio, resolvemos explorar todo o espaço, conhecido ou não. Vamos desbravar terras longínquas e nossa própria casa. Vamos olhar para a cidade e pra bagunça dentro de nós mesmos. Vem com a gente, tem lugar pra todo mundo.

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