É independência ou só ilusão?


Recentemente, li o ultimo volume de uma série de livros que me acompanhou pelo fim da infância, a bendita puberdade e a digievolução de Mandariela, estando presente na minha vida em momentos que vão ser lembrados pela dura realidade da falta de dinheiro e pela doçura dos gestos da família. O livro em questão era ‘’Royal Wedding’’, décimo primeiro livro da série ‘’O Diário da Princesa’’, da autora americana Meg Cabot.

E o quê que tem o livro com o nosso tema do mês? Mia, a personagem principal, é tipo aquela amiga que a gente sabe que é cheia de defeitos e, as vezes, meio chata, mas que a gente ama mesmo assim. Não foi assim que a Mia surgiu para mim, durante a leitura. Tive a chance de presenciar a digievolução de Amelia Thermopolis. Madura, bem resolvida, tomando decisões pelos seus pais e percebendo que eles também tinham defeitos, com um talão de cheques e um guarda-costas fortão, ela estava pronta para enfrentar o mundo, os papparazzi e resolver aquilo que tinha que ser resolvido, na lata. Terminei o livro chorando horrores, numa versão bem esquisita de ‘’My Baby is so grown up!’’. De novo, a leitura dos livros dessa série terminava me deixando com a sensação de ‘’wow, é assim que eu quero ser quando crescer!’’.

*insira aqui barulho de vinyl arranhado*

Eu tenho 20 anos (tá, eu não sou lá muito crescida, mas para quem, aos 14 anos desejava mais que tudo crescer e para quem é muito ansiosa, 20 anos é tipo os 30 anos de Jenna Rynk), trabalho muito, estudo mais ainda e ganho mais dinheiro, mensalmente, que minha mãe (ainda que ela saiba controlar melhor o dela e as vezes eu tenha que pedir emprestado para ela, o que pode acabar com o meu argumento de ‘’hey, talvez eu seja independente’’). As contas são bem balanceadas entre a família, então dá para dizer que eu sou uma adulta, responsável e, razoavelmente madura. Mas e o independente, onde é que eu enfio?

Não responda essa pergunta.

Eu ainda peço autorização da minha mãe para várias coisas, piro quando tenho que tomar alguma decisão importante e, quando a luz acaba no trabalho, vou correndo para perto do adulto que estiver mais próximo. Entendeu o esquema? Apesar de adorar dizer que sou gente grande (não grande, grande, eu tenho só 154cm, mas, né?), eu ainda não me sinto adulta. Ou madura. Ou independente, que seja.

Não que eu vá fazer coisas infantis como jogar um grampeador na cabeça do meu chefe, ou enfiar clips de papel na tomada, ou pular a catraca no busão. Mas é que depois de ler tantos romances de formação, em que a mocinhx passa por variadas transformações psicólogicas para finalmente poder dizer que amadureceu, ou então grandes séries de livros, que a gente consegue ver a evolução do personagem, é difícil sentir e achar que minha transformação está pronta e que eu finalmente longbottomed.

As vezes eu fico com medo de estar em negação, de realmente ser uma adulta independente, mas não perceber ou fazer a egípcia para tudo isso. Mas a verdade é que, enquanto eu puder pensar por mim mesma e puder decidir quando eu vou tirar uma soneca, será que realmente vai importar se eu sou ou não independente? Talvez importe sim, mas prefiro ficar sentadinha aqui, na minha cadeira com pezinhos (porque eu não alcanço o chão) sonhando com o tipo de pessoa que eu vou querer ser quando crescer e me tornar independente, de verdade.

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  • Amanda Ariela

    Exatamente como eu me sinto, Tati! <3

  • Tatiana Leite

    Pode abraçar? Pode, né?
    Eu não sei o que é ser independente. Quando eu trabalhei e ganhei meus dinheiros, senti que era independente pelo simples fato de ter minha rendinha e poder comprar o que eu queria, mas eu não era independente. Alcancei mais independência quando comecei a andar de ônibus sozinha, quando fui pra onde precisava ir sem mais ninguém e achei que tivesse alcançado minha independência. Mas o que é a independência??
    Acho que só vou descobrir quando morar sozinha, porque daí convenhamos: eu terei que tomar conta de uma casa. Isso sim parece independência de fato. Porque ela vai depender de mim e eu vou depender dela. Não vou ter ninguém com quem contar pra comprar meu danoninho. Ninguém vai me impedir de comprar Ruffles. Eu vou ter que lavar a louça no inverno. E vou ter que sustentar essa casa, financeira e psicologicamente.

    Pode ser que eu esteja protelando a minha independência, mas, sei lá, dá medo dela chegar. Porque quando ela chegar, qual será o próximo passo? Isso é mais difícil que descobrir o que a gente quer pra vida, honestamente!