Direitos Iguais, Rituais Iguais – Terry Pratchett


Imagine uma tartaruga gigante. Não, bem maior que isso. Maior ainda. É uma tartaruga enorme que está viajando pelo universo. Em cima do seu casco, quatro elefantes se equilibram de costas um pro outro. E bem em cima deles está apoiado um mundo plano e em formato de disco.

Esse é o Discworld, o mundo que o escritor britânico Terry Pratchett imaginou e que transformou em uma série com 41 livros (quase chegou no mais adorado número nerd)!

Direitos Iguais, Rituais Iguais é o terceiro livro da série, lançado em 1986. E eu o encontrei fazendo um dos meus passatempos favoritos: vasculhando livrarias a procura de novas leituras. Nunca tinha ouvido falar no Terry Pratchett e devia ter 12 ou 13 anos de idade. Na seção infanto-juvenil, vi uma longa fileira de livros com a capa parecida e ilustrações com magia e animais fantásticos. Fui pegando os livros e lendo os versos, para ver se algum me interessava. Até que li:“O que aconteceria se Harry Potter, ou o jovem Frodo de O Senhor dos Anéis, fosse uma garota?”

Claro, com essa idade eu já era louca por Harry Potter, mas como uma menina, sentia uma curiosidade enorme por esse pequeno “E se…?”. Eu queria ler um livro com a Hermione como principal, me imaginar como uma bruxa poderosa, ler um livro com uma personagem menina como eu.

O texto da sinopse continuava, dizendo que além da personagem ter que se preocupar com aprender magia e salvar o dia, “ela também tinha que enfrentar sempre a devastadora frase: ‘ISSO NÃO É COISA PRA MENINAS’”.

Em Discworld, homens e mulheres tem seu papel muito bem definido quando se trata de magia. Existem bruxas e existem magos. E ambos desdenham do estilo de magia do outro. Nunca se ouviu falar de um homem sendo bruxo ou de uma mulher sendo maga. E é assim que as coisa são. Ponto final. Até a chegada de Esk.

Eskarrina Smith é o oitavo filho de um oitavo filho. Quer dizer, a oitava filha. E isso quer dizer que ela tem magia dentro de si. Sem saber que se tratava de uma menina, um mago passou como herança seus poderes e seu cajado mágico para ela.

Só depois percebem que o oitavo filho era uma garota. E o estrago estava feito. O mago teve seu encontro com a Morte (uma personagem recorrente na série) e seu cajado temperamental estava ali para ficar.

Vovó Cera do Tempo, a parteira e bruxa local, fala para os pais de Esk ignorarem o assunto que tudo vai se resolver. Porém, a magia sempre prevalece e Vovó tenta levar a menina para o lado da bruxaria como sua aprendiz.

No entanto, não há remédio: sua magia é de magos. Só resta levar Esk para aprender com os melhores na Universidade Invisível… e que só aceita garotos.

Eles nem sabem a encrenca que vão arranjar, já que “Não” é uma resposta que nem Esk nem Vovó Cera do Tempo estão dispostas a aceitar. Elas vão dar uma lição de igualdade para todos que duvidarem de sua capacidade ou magia.

Além do Terry escrever um mundo mágico diferente de tudo o que já li, seu humor é o maior espetáculo dos seus livros. Ele é sutil, maluco, irônico e inteligente. Ele vai te divertir com frases que são uma magia à parte da história.

Sir Terry Pratchett foi escritor e jornalista, nascido em 1948 e, infelizmente, ele morreu em março de 2015, depois de muitos anos vivendo (e escrevendo) com Mal de Alzheimer. Para saber mais sobre essa pessoas incrível ou mais sobre seus livros, dá uma olhada no site: terrypratchettbooks.com

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Sobre Luisa Granato

Luísa é jornalista e eterna potterhead. Sua casa é a grifinória, mas ela lê como uma corvinal e podia ser a Luna Lovegood. Viajante (inclusive do espaço e do tempo), ela ama ficção científica e histórias fantásticas.