“Deuses Americanos”, Neil Gaiman


“Além disso, é evidente que todas as pessoas, vivas, mortas, ou de outros caso, nesta história são ficcionais ou usadas em contexto ficcional. Apenas os deuses são reais.”

Se você tiver que escolher um escritor agora para sua lista de “devo ler”, escolha o Neil Gaiman.

Uma coisa que amo e nunca deixa de me recompensar é ler os textos do Neil Gaiman. Pode ser qualquer coisa dele: prefácios, discursos, contos, quadrinhos ou, claro, seus livros. Também não faltam contos e coletâneas organizadas por ele. Todos são incríveis.

Eu nunca me decepciono. Na verdade, eu sinto como se tivesse encontrado uma peça de quebra-cabeça que encaixa perfeitamente em mim e eu nem sabia que faltava. Depois, se torna tão óbvio que sentia falta de uma história nova, criativa e incrivelmente bem contada.

E, então, existe o livro Deuses Americanos.

Ele começa com a ideia de que todos os diferentes povos que imigraram para a América trouxeram junto deles, nos barcos, os deuses e criaturas de suas religiões e folclores. E, até hoje, eles convivem entre os humanos, e também entre si. Nessa mistura de entidades nórdica, eslavas, ganêsas, egípcias e irlandesas surgem os novos deuses, os deuses americanos, como a internet e a mídia. Agora, todos esses deuses disputam a adoração e fé dos mortais.

No meio desse universo, temos o personagem principal, o Shadow (Sombra, em inglês). A vida é muito simples para Shadow. Ela está prestes a sair da prisão e tudo que deseja é tomar um bom banho, encontrar sua esposa e ficar tranquilo pro resto da vida.

Ele garante que é só isso que precisa para ser feliz e é tudo que ele não vai ter. Poucos dias antes de terminar sua pena, Shadow recebe uma boa notícia e uma má notícia: ele vai sair mais cedo, e sua esposa faleceu em um acidente de carro.

Chocado, ele pega o avião para atender ao funeral e encontra o misterioso Mr. Wednesday (em inglês, Sr. Quarta-feira), que tem uma proposta de emprego para Shadow. Assim começa sua jornada entre deuses, com testes, obstáculos e com uma guerra prestes a explodir entre as novas e antigas crenças. 

É aquele livro que você nem se importa muito como ele vai terminar, a história te envolve como se não tivesse fim. O leitor fica só esperando o próximo momento supernatural ou aparição de mais uma entidade mítica. Também acho o Shadow um personagem fascinante. Ele tem uma existência e pensamentos tão simples e obscuros, que você se surpreende com suas bruscas decisões.

E a cada novo personagem que aparece, o leitor tem apenas dicas sutis de que deus ele representa, tendo que desvendar o mistério. Mesmo para quem não entende de mitologia, a leitura ainda é sensacional.

Se você lê em inglês, recomendo a versão definitiva com o texto preferido pelo autor, que tem o texto mais completo. comentários do Gaiman e “cenas” extras no final.

 

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Sobre Luisa Granato

Luísa é jornalista e eterna potterhead. Sua casa é a grifinória, mas ela lê como uma corvinal e podia ser a Luna Lovegood. Viajante (inclusive do espaço e do tempo), ela ama ficção científica e histórias fantásticas.