Desafiando o status quo: mídia independente


Como está escrito aí na minha bio, eu sou uma das editoras da revista Capitolina. Para quem não conhece, explico rapidamente: a Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes, feita por uma equipe enorme também composta por garotas. Hoje, como é frequente, estava em uma reunião/entrevista explicando por que surgiu a revista – o que a gente queria com ela, qual era a motivação, qual é o diferencial. Sem explicar tudo aqui (porque este texto não é de fato sobre a Capitolina), a resposta simples é que a gente sentiu que faltava uma voz destoando da narrativa homogênea sobre e para garotas adolescentes.

É essa a importância da mídia independente: contestar o que é pregado pela mídia mainstream, trazer novas perspectivas, dar espaço para vozes que costumam ser ignoradas. O contato que temos com a mídia constrói muito das nossas visões – se você ouve algo vezes o suficiente, você acredita, especialmente se você nunca tem a oportunidade de ouvir outra opinião, outra leitura sobre o assunto, outro ponto de vista. Isso não significa que mídia independente está sempre certa e mídia mainstream sempre errada, só que é muito difícil pensar por conta própria se só se tem acesso a uma perspectiva única sem nenhuma margem para discussão ou discordância.

Visto que tudo faço por aqui é falar do poder revolucionário da internet, já está claro que meu consumo midiático principal é online e independente, né? Pra comprovar que esse tipo de mídia é mesmo tudo isso que eu estou falando, segue uma pequena lista de sites incríveis, independentes, com conteúdos interessantes e inovadores:

 

EM PORTUGUÊS

Ovelha: feita para jovens mulheres que não se veem na mídia tradicional, a Ovelha fala bastante de cultura, estilo, internet e gênero. Algumas dicas de post: “Joquinhos retrô de Sailor Moon“; “Engravidar, pode?”; “Uma conversa sobre assédio”; “A incrível sensação de ser protagonista”.

Alpaca: uma editora no sentido amplo – um espaço para lançar e destacar arte e texto, online ou offline –, a Alpaca produz conteúdo sobre e de arte por mulheres. Algumas dicas de post: “Literatura para garotas: o térreo da escada literária é também o térreo da nossa revolução”; “Cada garota é uma revolução”; “Gilmore Girls: mulheres em evidência”; “O mundo de Pretty Little Liars” (ok, esse último eu que escrevi, mas ainda vale, né?).

Geni: num formato mais tradicional de revista, com uma edição nova completa saindo a cada mês, a Geni trata de questões de gênero e militância com bastante seriedade e informação. Honestamente, recomendo toda a edição atual (#25), porque ela é exatamente sobre mídia e gênero.

 

EM INGLÊS

The Hairpin: parte da rede de sites independentes que inclui The Awl, The Billfold e Splitsider, o Hairpin é (como boa parte dos sites da lista, acho que já deu pra reparar) feito por e para mulheres. Os posts são muito variados, de comentários breves sobre clipes a entrevistas longas com pessoas fascinantes. Algumas dicas de posts: “I keep on forgetting my name”; “Hysteria and teenage girls”; “One big question: what makes you feel powerful?”; “Saving while you’re spending: self-care with Meredith Graves”; “A place where everybody knows your name”; “Self-care and survival: an interview with Janet Mock”

Autostraddle: ok, é hora de apresentar a vocês meu site favorito. O Autostraddle é o principal site de cultura lésbica no mundo, tem conteúdo excelente e prolífico, e trata de tudo quanto é assunto que poderia interessar uma mulher queer – textos sobre sexo, textos sobre gênero, textos sobre bruxaria, textos sobre raça, textos sobre família, textos sobre comida, textos sobre tecnologia, textos sobre televisão… É, também, o melhor lugar na internet para recaps de Pretty Little Liars. Algumas dicas de posts: “Why we are witches: an A-Camp roundtable”; “Media refuses to grant trans women dignity – even murder victims”; “What I learned from Buffy about all the versions of my queer girl self”; “It’s a war out there: how queer female friendships can save us all”; “Butch, please: butch in the bathroom”; “There are no cookies: ten ways to take action as a trans ally even if you’re also trans”; qualquer coisa da Heather ou da Riese

The Toast: normalmente os posts do The Toast ou me fazem gargalhar bem alto ou me fazem querer chorar e ter mil sentimentos sobre mil coisas. É muito difícil explicar o estilo do site, mas é também muito focado em mulheres, em internet, e em tudo quanto é coisa que mulheres podem querer dizer na internet, especialmente se é muito bem escrito e/ou muito engraçado. Algumas dicas de posts: “A linguist explains how we write sarcasm on the internet”; “An unified theory of Ophelia”; “Where’s my cut?: on unpaid emotional labor”; “A new version of you”; “How my Rocky Horror Picture Show identity both proves and disproves the existence of the essential soul”; toda a série “Texts from..”

Rookie: numa onda parecida com a da Capitolina, a Rookie é uma revista online para garotas adolescentes, escrita principalmente por mulheres (muitas delas adolescentes/jovens), e editada pela maravilhosa garota-prodígio Tavi Gevinson. A revista acabou de passar por algumas mudanças editoriais, e está mais interativa. Algumas dicas de posts: “Season of the witch”; “Outsider/insider”; “Internet connections”; “You are some body”; “Called in”; “Self-portraits of a lady”; t-o-d-a-s as Editor’s Letters da Tavi.

The New Inquiry: fugindo da vibe dos outros sites, a New Inquiry é uma revista sem foco principal em gênero, que publica muito sobre tecnologia, internet, narrativas midiáticas, viagens pós-modernas e coisas estranhas e inesperadas. É beeeem difícil de descrever, mas é minha fonte favorita de Textões ™ nessa internet. Algumas dicas de posts: “On neuronationalism, autism, immunity and security”; “Open channels”; “The collection and the cloud”; “Manifesto of the committee to abolish outer space”; “Ms. America”, um suplemento inteiro sobre a Lana Del Rey.

 

Esses são meus produtores favoritos de conteúdo independente (para os quais eu não escrevo regularmente, porque senão me sentiria meio estranha recomendando), e eu adoraria saber os de vocês? Quem anda escrevendo e publicando por aí coisas incríveis que desafiam o status quo da mídia?

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Sobre Sofia

Sofia tem 25 anos, mora no Rio de Janeiro e se formou em Relações Internacionais. É escritora, revisora, tradutora e editora, construindo passo a passo seu próprio império editorial megalomaníaco. Está convencida de que é uma princesa, se inspira mais do que devia em Gossip Girl, e tem dificuldade para diferenciar ficção e realidade. Tem igual aversão a segredos, frustração, injustiça e injeções. É 50% Lufa-Lufa e 50% Sonserina.