De cabeça pra baixo – Editorial #31


Arte: Marília Pagotto

Se você tiver a oportunidade de brincar em um balanço, é bom aproveitar. Eu não consigo não me espremer no assento baixo demais pra mim, chutar a areia do parquinho e começar a me balançar.

A minha parte favorita desde criança é quando chego mais alto. Não pra soltar as correntes e me jogar para frente, mas para jogar a cabeça pra trás e ver o céu azul e depois o chão vindo na minha direção. O mundo de cabeça para baixo vai e volta até o balanço parar.

É um prazer peculiar deixar as coisas fora da ordem. Virar de cabeça pra baixo na Yoga é um desafio interessante e meio desesperador. Afinal, colocar as pernas para o alto e apoiar o peso do corpo no pescoço não é a ordem normal. Mas alivia as costas e acho indescritível o momento que o topo da minha cabeça tocou o chão pela primeira vez (não tentem isso sozinhos em casa). Talvez a Milena tenha levantado voo quando seu balanço atingiu o ápice, porque ninguém a viu desde então.

Às vezes, é bom tirar todas as roupas, sapatos e tralhas do armário, ver tudo jogado pelo quarto e seu lugar certo vazio. E então fazer o caminho de volta a normalidade. Separar, dobrar, agrupar, planejar, jogar fora e guardar.

Quando a ordem é restabelecida, voltamos mais leves.

Neste mês na Pólen, a Marina Calvacante trouxe uma ideia diferente. E se fizemos ilustrações e depois escrevêssemos textos a partir delas?

E porque não? Então, o tema desse mês é “De cabeça para baixo”, com textos e ilustrações especiais e outras coisas bagunçadas. Vamos virar tudo ao contrário e tentar pensar fora da caixa no que produzimos aqui. Aceitar nosso próprio caos de vez em quando.

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Sobre Luisa Granato

Luísa é jornalista e eterna potterhead. Sua casa é a grifinória, mas ela lê como uma corvinal e podia ser a Luna Lovegood. Viajante (inclusive do espaço e do tempo), ela ama ficção científica e histórias fantásticas.