David Bowie, o Homem das Estrelas


A música de David Bowie não envelhece, e parece estar sempre sendo resgatada, seja nos anos 1990 ou em 2016. Sua obra é utilizada como trilha sonora dos mais variados filmes, e sua imagem na capa de Aladdin Sane é uma das mais conhecidas.

O que nos faz amar tanto as suas músicas, a sua arte? O que o torna tão essencial em nossas vidas?

Me arrisco a dizer que talvez seja a sua capacidade de se reinventar com tamanha maestria, essa sua forma camaleônica pela qual ficou tão famoso. Passando de Ziggy Stardust a Thin White Duke, de Jareth ao Lazarus.

 

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David Bowie nasceu David Robert Jones, em 8 de janeiro de 1947, e faleceu em 10 de janeiro de 2016. Durante sua carreira, foi mímico, cantor, compositor, ator, produtor. Foi polêmico e trouxe novos ares à música, além de abrir as portas para centenas de artistas que viriam depois de sua estreia (aquela banda indie que você gosta quase com certeza teve influência dele).

Considerado um dos gênios da história da música, ele emplacou seu primeiro hit em 1969, a incrível Space Oddity. De sua estreia até os dias atuais, David já ficou 103 semanas no Top 10, criando tantos sucessos que fica até complicado enumerá-los (podemos citar Changes como exemplo).

Bowie é conhecido, também, por sua aparência andrógina, e ele não se importava com os gêneros impostos às roupas: usava quimonos e saias sem tabu. Seus olhos também são ponto de interesse, porque, devido a uma briga, um deles teve a pupila dilatada permanentemente.

 

 

Meu primeiro contato com ele aconteceu quando eu era pequena demais para entendê-lo de verdade, mas o fato é que não me lembro exatamente de como aconteceu (talvez em um clipe). Não consigo me lembrar com clareza de um momento da minha vida do qual David Bowie não faça parte. É como se ele sempre estivesse ali, sempre com aquela importância tão enorme que tem hoje.

Assim como fez com milhares (para não dizer milhões) de pessoas, Bowie abriu a minha mente. Ele me fez querer ser mais eu mesma, não ter medo das minhas esquisitices, fez minha voz ficar mais alta e mais poderosa.

Uma retrospectiva mais profunda do trabalho de David ficaria extensa demais, mas basta dizer que cada passo de sua carreira foi milimetricamente planejado, e ele não parece ter feito nada que não quisesse. A sensação que tenho, ao acompanhar a sua carreira, é a de que ele fez tudo aquilo que sentia necessidade de fazer, que fosse capaz de trazer prazer a ele.

Ninguém soube que ele estava lutando contra o câncer, e sua morte foi tão chocante quanto um último grande feito de Bowie. Dias antes, ele lançara seu álbum ★ Blackstar. Todo o álbum, das letras às melodias, é sombrio e parece um prenúncio de sua morte. Recentemente, foi descoberto que a cópia física do álbum, quando posicionada contra o sol, mostra pequenas estrelas. Nada mais justo para o eterno Starman.

Trent Reznor, do Nine Inch Nails, conta que Bowie foi um ator decisivo para botar sua vida de volta no eixo; David o enchia de esperanças, fazendo com que ele percebesse que havia uma saída para todas as dificuldades pelas quais passava. Para mim, David Bowie, o Starman, é exatamente isso: uma luz no final do túnel me dizendo que, se eu quiser, posso ser uma heroína. ★

 

Um rápido guia para iniciantes a David Bowie

O site supbowie.com permite que você veja o que David estava fazendo quando tinha a sua idade (aviso: pode causar crises, Bowie começou cedo).

Faixas essenciais: a famosa Heroes (da trilha sonora de As Vantagens de Ser Invisível), Cracked ActorAshes To Ashes, The Stars (Are Out Tonight) e a eulogia em forma de música Lazarus.

 

Filmes que precisam ser vistos:

 

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Velvet Goldmine, de Todd Haynes, é quase uma biografia de Bowie, com direito a personagens que são basicamente um recorta-e-cola de pessoas importantes na vida de David e a uma ex-esposa frustrada que afirma ter visto seu marido na cama com outro astro do rock.

 

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A frase mais Bowie já dita

 

O Homem Que Caiu Na Terra, de Nicolas Roeg, onde David vive um alienígena que vem para a Terra tentar levar água para seu planeta natal (para mim, a atuação dele é excelente e o filme é incrível).

 

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Ziggy Stardust and The Spiders From Mars, de D. A. Pennebaker. O último show de David Bowie como Ziggy, mostrando todo o glamour (ou a falta dele) nos bastidores da turnê.

 

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High School Band, Todd Graff. O filme é, na verdade, uma enorme carta de amor a Bowie e sua obra, e serve para mostrar a extensão de sua influência, além de garantir umas risadas boas e deixar o coração quentinho.

 

Livros importantes:

Bowie – A Biografia, de Marc Spitz

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Através de entrevistas com artistas que conviveram com David Bowie, de experiências próprias e críticas e análises dos álbuns do camaleão do rock, Spitz acompanha toda a carreira dele, minuciosamente.
O livro de Spitz termina em 2010. Desde então, Bowie lançou mais dois álbuns de inéditas, além de uma coletânea de seu trabalho em três discos e uma peça da Broadway. O primeiro álbum, The Next Day, foi lançado em 2013, meio de surpresa, e conta com 17 faixas na sua edição deluxe. Os clipes do álbum contaram com participação de artistas como Tilda Swinton. O segundo é de 2016, seu último álbum.

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Quase um catálogo da exposição sobre a vida do cantor, é um tijolo de um livro que traça toda a carreira de Bowie, riquíssimo em fotos e detalhes, com direito aos primeiros rascunhos de David para algumas de suas músicas mais famosas e imagens dos trajes mais famosos da carreira do cantor.

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Sobre Ariel Carvalho

Ariel é uma lua de Urano, um espírito do ar, um sabão em pó, uma marca de carro e uma pequena sereia, mas também é uma bibliotecária carioca que não consegue terminar a meta de leitura, sabe tudo de Monty Python e chora com filmes de ficção científica.