Confissões de alguém que pensa demais


Eu penso demais. Não sei quantas vezes comecei a escrever isso daqui, apaguei e comecei do zero. Eu projeto nos outros o que eu penso sobre mim mesma. Ninguém vai querer ler sobre isso, por que eu to perdendo o meu tempo?

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Eu passo tanto tempo tentando entender o que passa na cabeça dos outros e o que eles devem estar pensando sobre mim que às vezes acabo esquecendo de olhar pras coisas com os meus próprios olhos. E quando eu penso no que rolou na semana passada, tudo o que aconteceu já tá coberto por mil novas camadas de julgamento que eu criei sobre mim mesma, tudo o que eu me arrependi de fazer ou de deixar de ter feito. E se eu começo e vislumbrar o futuro, projeto milhares de expectativas sobre tudo o que pode ou não acontecer e aí fica difícil de dar o próximo passo. Fico paralisada.

Outro dia assisti esse vídeo do BuzzFeed e me identifiquei completamente. Dei risada, o vídeo é engraçado, dá pra ver o quão absurdo que é pensar tanto assim sobre qualquer coisinha. Mas na vida real isso é simplesmente exaustivo. Se cada micro decisão demanda tanta energia de alguém, imagina como a pessoa acaba o dia? Completamente esgotada.

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Queria ser otimista e ter milhares de dicas pra quem se sente do mesmo jeito que eu, mas é claro que eu não saberia o que dizer nesse sentido. Porque geralmente quem pensa demais é ansioso com tudo, e essa ansiedade traz insegurança e faz com que a pessoa veja todas as possibilidades negativas que uma situação pode trazer. A única coisa que eu posso dizer que aprendi é a justamente reconhecer esse ciclo vicioso de raciocínio e tentar sair um pouquinho da sua cabeça pra perceber o nível de obsessão que você pode chegar com coisas tão pequenas e insignificantes.

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Também dá pra tentar levar em consideração teorias mais animadoras, como uma pesquisa recentemente publicada na revista Trends in Cognitive Sciences. Adam Perkins, professor de neurobiologia do King’s College London e autor do novo artigo, acredita que pessoas que não param de ruminar pensamentos e vivem muito preocupadas com fatos banais costumam apresentar também uma alta capacidade criativa.

Explicar por que as pessoas altamente neuróticas tendem a ser mais criativas é muito difícil, em parte, porque é difícil medir a criatividade em condições de laboratório. Em nosso trabalho, simplesmente sugerimos que, porque pessoas altamente neuróticas tendem a pensar muito sobre problemas (pois têm altos níveis de atividade no córtex pré-frontal medial), elas têm uma vantagem básica quando se trata de pensar em soluções para esses problemas”, explica Perkins.

Encontrando soluções ou não, o importante é ter consciência de que nem todo problema é real ou merece tanta atenção assim!

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Agora licença que eu vou ali me preocupar com meus problemas imaginários. E com os verdadeiros também, só não sei diferenciar bem qual é qual.

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Sobre Ana Levisky

Ana terminou seu Mestrado na Irlanda e tenta se convencer de que Processo Criativo é sim uma área relevante de estudo. Quando tem tempo faz filmes, já que se formou pra isso.