Como não fazer resoluções de ano novo tem me ajudado


Texto: Lidyanne Aquino

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Listas são irresistíveis. Funciono muito bem com elas, ainda mais se for no papel – pois mesmo me adaptando às tecnologias existe algo mágico em riscar aquele item concluído. Bastou aprender a escrever, em um dado momento do passado, para me tornar adepta das resoluções de ano novo. Já fazia parte da rotina de cada dezembro, mesmo que perdesse um pouco de esperança a cada virada. Lembro até das festas de fim de ano em casa de família, onde, por vezes, uma das minhas tias improvisava uma caixinha para depositarmos nossa lista e só abrir novamente no fim do ano seguinte, obviamente para comemorar o fato de ter cumprido cada meta!

Então aconteceu 2014 na vida da pessoa, e as coisas foram um tanto trágicas, diga-se de passagem. Nunca estipulei muitas metas, até pra isso tentava respeitar os meus limites. Mas no fim de 2014 parecia que cada item tinha dado errado de uma forma muito ruim na minha vida. Naquele momento resolvi rasgar o papel de resoluções de fim de ano em mil pedacinhos. Só não taquei fogo porque não tinha.

Quando comento sobre a decisão, até me questionam: nossa, mas você virou uma pessoa “sem alma”, “sem perspectivas”? Nunca. E para isso peguei aqui duas tirinhas da Sirlanney emprestadas.

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A sensação relatada por ambas era a que eu sentia a cada fim de ano. Como se tivesse tentado sem muito me esforçar e dado aquela derrapada no final, quando estava perto de conseguir, sabe? Como se ficasse ansiosa o ano inteiro, sustentando mais a expectativa de ticar os itens da lista do que me empenhar em cumpri-los.  E claro, parei com metas impossíveis. É tudo mais pé no chão. Se quero muito fazer uma viagem internacional (que configuraria meta difícil e quase impossível), por exemplo, coloco como objetivo economizar em um mês, tentar pegar um freela que pague bem no outro, e por aí vai.

Mantive o esquema no fim de 2015 e tem funcionado muito bem. Agora a lógica mudou e estipulo metas de acordo com necessidade. Essa coisa de planos a longo prazo tem tudo pra dar errado porque basta um vacilo pra gente desistir de vez, já repararam? Tipo aquele plano lugar-comum de ser mais saudável no ano seguinte. Você começa bem, mas se depois de um mês “sendo saudável” você dá uma deslizada tipo ficar uma semana sem se exercitar ou comendo só porcaria, é o fim do mundo e fica difícil não desistir de cara. Isso de ter uma única meta por mês me deixa mais confortável e me ajudou a me organizar melhor. Por isso que digo – vai de cada um. Tem gente que jamais funcionaria assim. Para mim, não tem nada mais gostoso que chegar ao dia 30 ou 31 e pegar um filme legal pra assistir enquanto comemoro minha “missão” cumprida. Lembrando que não substituo uma regra por outra. Tem meses em que não defino nenhuma meta pois não sinto a menor necessidade.
Sem querer soar como um livrinho de autoajuda, é ótimo para pessoas ansiosas e com sérias frustrações que nem eu. Convenhamos, bem mais fácil se organizar para cumprir uma meta em 30 dias do que várias metas em 366 (!!!!! reparem bem, é dia pra caramba!!!). Disse adeus às crises de ansiedade e famoso “quebrar a cara” tá quase virando lenda. Essa é minha sugestão para um 2016 mais leve. Não é o caso de rasgar a listinha de resoluções para 2016, mas sim de tentar repensá-la. Segregar cada item e torná-la ainda mais possível. 🙂

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Sobre Lidyanne Aquino

Lidyanne nasceu no Mato Grosso do Sul (isso mesmo, DO SUUL!), tem 25 anos, formou-se em Jornalismo na Cásper Líbero e terminou gostando desse caos que é São Paulo, de onde não saiu mais. Abandonou a juventude por não gostar nada de virar a madrugada na balada, mas já guardou a última mesa do bar porque conversa demais. É doente por literatura e cinema, cultiva e incentiva a prática sempre com uma boa trilha sonora de fundo. E curte muito escrever e brisar sobre essas coisas todas.

  • Amanda Tracera

    É engraçado, porque eu faço listas todo início de ano, e meta de leitura, e meta de filme, e etc. e tal, mas sabendo que aquilo ali nunca vai ser 100% completo, e consigo ficar quase de boas com isso. Talvez seja porque minhas metas sejam muito gerais (“dizer mais sim”, “ler mais”, “escrever mais”), talvez porque eu já começo com a certeza de que eu mudo, e de que é sempre uma surpresa, e de que falhar acaba sendo normal. Não sei.

    Nunca tentei isso de metas mensais, mas acho que pode funcionar melhor pra objetivos mais diretos. Adorei o texto e a dica. 🙂