Como encontrar o meio do caminho – Editorial #30


Texto: Lorena Pimentel e Luísa Granato // Arte: Gabriela Amorim

Um mapa pode ser um chamado para uma aventura. Mesmo que seja na sua própria cidade, onde você passou sua vida inteira, sempre existe algo novo para se descobrir ou uma forma diferente de se encontrar.

Para escrever este editorial, nós nos encontramos no meio do caminho.

A ideia veio do The Art Assignment, que mostra um projeto em que dois artistas buscam o meio geográfico entre eles, marcam uma data e horário e se encontram ali.

Para encontrar o meio do caminho, você vai precisar dos seguintes itens:

  • Um amigo
  • Dois pontos de partida
  • Sapatos confortáveis para caminhar
  • Água (se hidratar é importante)
  • Algum lanche
  • O seu mapa de escolha (no celular, gps ou, pra quem é “old school”, no papel)

Agora, uma breve guia do trajeto até o meio:

Registro 1 – Lore: Adivinha quem saiu atrasada de casa? Pois é. O problema é que essa que vos fala mora meio longe da estação mais próxima, então qualquer atraso se multiplica. Bom, pelo menos o clima estava agradável para uma caminhada. E o trem chegou rápido. E eu também preciso seguir o conselho da minha mãe e lavar esse par de tênis.

Registro 1 – Lu: Eu esperava que o ponto de encontro fosse mais longe, já que estou acostumada a demorar mais de uma hora para chegar em qualquer lugar da minha casa. Parece óbvio que demorei metade disso. Ainda assim, sai de casa correndo, com certeza de que iria me atrasar.


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Registro 2 – Lore: Uma parte divertida foi ir postando isso no nosso instagram. Acho que porque moramos em lados opostos da cidade, realmente imaginamos encontrar uma a outra como uma longa saga (ei, são quase 20km!) mas nessa hora, eu via que a Lu tinha postado também e nós estávamos em pontas opostas da mesma linha de metrô. Ou seja, ainda que eu estivesse atrasada, não estava tanto assim.

Registro 2 – Lu: A escolha das duas foi o transporte público. Talvez algum dia seja interessante testar São Paulo a pé. Meio difícil, mas quem sabe…

 

Registro 3 – Lore: Nunca tinha saído na estação que saí – o que faz sentido, porque é um lugar mais residencial e eu não conheço nada ali – mas por isso tive que aderir ao meu clichê millennial e andar com google maps aberto pela rua. Mas achei interessante, porque não imaginaria, pensando em SP como um todo, que nosso ponto de meio seria ali (sou péssima com direções, claro). E uma coisa engraçada de SP é que a gente vive nos nossos microcosmos de bairros e regiões e quando fazemos uma aventura por bairros menos percorridos, mais residenciais, digamos assim, notamos que existe todo um outro microcosmo ali. Quando dá tempo de não passar reto pela estação.

Registro 3 – Lu: Todos os dias eu cruzo a cidade. Estou tão acostumada a ficar um tempão no transporte público (e encontrar formas de aproveitar esse tempo) que mal noto mais as estações por que passo. A Santos -Imigrantes quase não existe mais para mim, normalmente só noto quando chego na Paraíso. Foi uma sensação engraçada sair do trem nessa estação – e ainda mais sair da própria estação e descobrir o que existe em volta dela.

 

Registro 4 – Lore: Eu quase caí na lama. Bom, fica o contexto: fui andando na direção certa, aí tinha uma rua sem saída. Ou o que achei que seria uma rua sem saída, que na verdade era uma escadaria (tem que ser fitness pra geografia paulistana e devo dizer que estou longe de ser fitness). Daí quase escorreguei na lama em uma praça enlameada. E estava atrasada, de acordo com os posts da Lu no instagram.

 

Registro 4 – Lu: Achei que ia chegar atrasada. E cheguei mais cedo. História da minha vida. Quer dizer – nós marcamos 11h e já eram 11h30, eu só cheguei menos atrasada. Fui andando da estação, sempre checando o mapa no celular, e entrei numa rua larga e movimentada, porém bem residencial. Tinham crianças indo pra escola, pessoas correndo e andando com o cachorro.

 

Registro 5: Agora juntas, nós caminhamos ladeiras e ladeiras acima até a Casa Modernista da Rua Santa Cruz.

Registro # – Milena: Caminhei até sair do deserto. Sem água ou um mapa, eu não sei onde estou, nem quando poderei voltar.

Dá uma olhada no canal do Art Assignment, tem vários outros projetos legais para tentar por lá. E combine com algum amigo de se encontrar no meio do caminho. Vocês podem acabar descobrindo lugares legais pela cidade.

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