‘Cidades de Papel’, John Green


Que coisa mais traiçoeira é acreditar que uma pessoa é mais que uma pessoa.

Pense na típica adolescente fictícia certinha. Aquela que tira boas notas, tem um grupo de amigos, um namorado fofo e muitos planos de uma vida tranquila. Ela tem um admirador, que faria de tudo para ficar com ela. Entra: Margo Roth Spiegelman, destruindo tudo isso. Mas vamos começar pelo começo.

Quentin (ou ‘Q’) é um garoto que mora em Orlando, na Flórida e, se você está pensando na Disney, pense de novo. Na verdade, Orlando é meio … chato. Ele vive em um desses bairros suburbanos e não tem lá muito o que fazer. Na infância, uma família se muda para a casa vizinha e é aí que Q conhece Margo.

Flash-forward alguns anos e eles estão no Ensino Médio, prestes a se formar, mas não têm mais contato. Enquanto Q é um pouco isolado e desajeitado, Margo é popular na escola e tem outros grupos de amigos. Até que, uma noite, Q acorda com Margo na janela de seu quarto, pedindo ajuda em uma aventura.

 

Eles passam a noite fazendo pegadinhas elaboradas e Q acha que terá a chance de reconquistá-la. No dia seguinte, ela desapareceu. Quando ele percebe que Margo deixou dicas sobre seu paradeiro, Q resolve procurá-la, com ajuda de seu amigos e uma minivan.

Ainda que Cidades de Papel seja uma história muito divertida, o que me faz amar esse livro – da primeira vez que li, anos atrás, até hoje – é a quebra de expectativa. Veja, a Margo é aquela garota que parece ter tudo certo em sua vida, mas resolve que precisa de uma mudança e age de maneira impulsiva. Já falamos de Manic Pixie Dream Girls aqui na Pólen e essa história é uma subversão excelente do clichê.

Nós temos uma garota que é idealizada por todos, mas que, ao invés de simplesmente viver com isso, ela demonstra sua personalidade e deixa de ser o espelho em que todos projetam o que acham dela. Ela é mais do que aparenta ser. Tem uma mensagem clara de que não devemos estereotipar os outros e entender que cada pessoa é seu próprio universo.

 

Sem contar, lógico, que sendo um livro do John Green, os personagens são engraçados e tem ótimos diálogos. Cidades de Papel, em especial, tem o bônus de ter um grupo de amigos bem diverso passando por uma aventura juntos e isso rende inúmeros momentos bons do livro. Não é pra menos que é meu favorito do autor.

 

 

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Sobre Lorena Pimentel

Paulistana que preferia ter mar, entusiasta do entusiasmo, Grifinória com medo de cachorros, defensora de orelhas pra marcar livros, não gosta de açúcar, colecionadora de instagrams com fotos de bebês, oversharer no twitter (@lorebpv) e uma eterna vontade de ter nascido Rory Gilmore.