Caubóis no espaço: conheça Firefly


Uma garota feliz e sorridente convida um padre e um médico taciturno para viajarem em sua nave, pilotada por um loiro magrelo que usa camiseta havaiana e brinca com dinossauros de plástico. Ele é casado com uma ex-militar negra que ainda carrega armas na cintura. A espaçonave é comandada por um rebelde estilo galã e abriga ainda uma linda prostituta de elite e um daqueles caras meio picaretas nos quais você sabe que não deve confiar – a não ser que esteja pagando.

Essa trupe toda embarca numa viagem fora das vias tradicionais, comandadas pelo império da galáxia e, entre um bar e outro, eles contrabandeiam itens raros, de alto valor, como uma caixa de morangos. Eventualmente, se envolvem em conflitos com a lei e tentam lidar com uma passageira surpresa que aparentemente tem poderes (e problemas) mentais.

 

Este é o universo de Firefly, série de uma temporada criada por Joss Whedon (de Buffy e Os Vingadores), exibida em 2002 pela Fox americana. Reuniu Nathan Fillion como protagonista, Morena Baccarin, Gina Torres, Alan Tudyk e outras joias preciosas do sci-fi na televisão.

O fato de apenas 14 episódios terem sido suficientes para cativar um fandom – os chamados browncoats – que se mantém vivo até hoje e possibilitou o lançamento de um longa, o Serenity, já diz muito sobre a série. Apesar de que, cá entre nós, tenho a teoria de que grande parte disso vem de Nathan Fillion e sua incapacidade em superá-la, como evidenciado pelos tweets 01, 02 e 03 e pelas inúmeras referências que ele coloca em Castle. Tudo bem, Nathan, a gente sabe como é ter um programa de TV favorito cancelado.

 

 
 Troy e Abed nos entendem

Assim como muitos dos trabalhos saídos da cabeça de Joss Whedon, Firefly consegue reunir uma trama de relacionamentos e desenvolvimentos pessoais com muito humor e algumas bem executadas cenas de ação. O capitão, Mal, é um caubói perdido no espaço, que lutou contra a formação do império Aliança e tenta manter sua integridade na nova vida de fora-da-lei. Com ele viajam personagens interessantes por fugirem do convencional, como Kaylee, a mecânica sem treinamento formal, que mantém a nave funcionando à base da intuição, e River, a tal da passageira surpresa, que descobrimos ter sido alvo de experimentos da Aliança por ser uma criança super dotada.

A vantagem de ser uma série meio western de ficção futurística é que podemos apreciar cenários e combinações inusitadas, como gado e robôs. Também ganha pontinhos ao admitir que a colônia humana expandida pelo espaço não falaria apenas inglês, e faz algumas cenas em mandarim.

Até hoje, o número de referências a Firefly que aparecem na cultura pop são mais uma prova de que a Fox errou feio ao cancelá-la. Porém, apesar do gostinho de quero mais que ela deixa, consegue ser bem amarrada em sua única temporada, e coloca os últimos pingos nos is com o filme de 2005. Assista se você gosta de: piadas com trocadilhos; mulheres que chutam bundas; nostalgia pelos tempos de uma revolução contra-hegemônica; respeito à lei de propagação do som no espaço; ver um padre desconfortável por ter que conviver com uma trabalhadora do sexo.

 

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Sobre Marina Vieira

Uma atibaiense atibaiana que gosta de ouvir e contar histórias. 22 anos, se inspira em figuras respeitadíssimas como Avatar Korra e Finn, O Humano. Acredita fervorosamente que J.K. Rowling está escrevendo "Hogwarts, Uma História" em segredo. Enquanto não é lançado, ocupa seu tempo virando estrelinha na grama e fazendo carinho em todos os animais que encontra.