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Texto: Solaine Chioro   Conto inspirado no mito de Píramo e Tisbe Eu corria, apertando as pálidas amoras entre meus dedos e sentindo o coração batucar intensamente dentro do meu peito.  Eu nunca estive tão assustada em toda minha vida. Já havia provado de muitos sentimentos: decepção, solidão, tristeza… Mas […]

Tisbe na caverna





Minha música brasileira favorita é Baby, porque ela começa dizendo "Você precisa saber da piscina, da margarina, da carolina, da gasolina" e isso me faz pensar num mergulho gelado num dia quente, pão fresco de manhã, carolinas muito doces num café da manhã de hotel, inspirar mais do que deveria o cheiro confuso e proibido da gasolina. São coisas banais, que a gente não precisa. Será?

Você precisa tomar um sorvete


Texto: Gabriel Martins Edito os silêncios. Todos os dias, quando estou fazendo reportagens para rádio, o meu trabalho é, além de selecionar as falas, editar as pausas e a respiração. Às vezes, frações de segundo ínfimas que mal se pode ver entre os picos das ondas sonoras. Em outros momentos, […]

Editando silêncios





Existe algo de fascinante em olhar as pessoas dentro de suas casas, sem que elas saibam que você está observando. Desde pequena gosto de olhar para as janelas alheias, ver o que as pessoas estão fazendo e imaginar histórias, rotinas, amores, ansiedades e angústias para os que estão lá dentro. […]

Dolores


















Fiquei um tempo contemplando seus olhos. Eram azulados: não sei se naturalmente azulados, ou se era catarata, pois havia certa desatenção em sua mirada que me lembrava cegueira. Ora! Que irresponsabilidade entrar dentro de um carro com alguém que não enxerga conduzindo. Tinha que chegar em casa! Havia gente me […]

O taxista



Meu pai sempre foi uma pessoa muito correta e exageradamente metódica. Um homem divorciado, que usava com frequência as suas camisas de gola e cores discretas, e antes de ir para seu trabalho na repartição pública da Receita Federal as nove da manhã em ponto, ele lia o seu jornal no café […]

Eis a questão


Olhando para o meu reflexo da porta do metrô eu parecia estar bastante calmo, mas só eu sabia a vontade quase que incontrolável, que eu sentia de gritar. São quinze estações que rotineiramente espero na volta para casa, e o medo consumia a paciência que normalmente tenho nesse trajeto diário. As […]

A Coragem de Alice