Categoria: Folhetim


Palmas das mãos suadas, muito suadas. Não importa o quanto eu seque no tecido da saia, elas continuam molhadas e frias e pegajosas. As marcas úmidas dos meus dedos já estão impressas na roupa, então minha nova toalha começou a ser o tecido verde escuro e áspero da poltrona. Queria […]

Acabou


—  Meu dia só começava de verdade quando a dona Tulipa passava correndo pela minha mesa. Era o sinal de que o dia tava nos eixos, tinha engatado mesmo. Ela gritava “Bom dia, seu Gerso” e ia lá, dar soco no botão do elevador. Ela fazia parte da minha rotina, […]

Dona Tulipa


Ficara até tarde tentando escrever, sabendo do trabalho no dia seguinte. A escrivaninha era achatada, imprópria e improdutiva, um inferno a suportar. E o quarto mesmo um inferno: suor em bicas, razão perdida, onde estava a água? Pois suava, como indigna, e não havia meios modos na maneira indignante do […]

A asa do mosquito



I’m not quite sure what we’re supposed to do / So I’ve been writing just for you (David Bowie – Letter to Hermione) — Você tem cara de quem tá indo pra Paulista! O sorriso aberto no rosto queimado de sol do taxista que seria meu fez cócegas no meu […]

Por baixo da fumaça


Eu tinha os olhos fixos na porta quando Antonia a abriu. Consegui sentir o bafo de agosto tentando confrontar o ar condicionado do café. Os olhos dela não demoraram muito para me encontrar; a ansiedade me posicionara estrategicamente dentro do campo de visão de qualquer pessoa que entrasse na loja. […]

Duas vezes mais rápido