Categoria: Folhetim



Texto: Lara Matos // Arte: Gabriela Amorim O vislumbre Uma mulher de pele escura caminhando apressada pelo corredor, que avistei pela primeira vez pelo turbante muito colorido em meio ao aglomerado na estação, sou como um girassol para pessoas que irradiam beleza assim. Tinha a pele marrom avermelhada pelo sol, […]

Milagres comuns






Texto: Priscilla Binato // Arte: Gabriela Amorim Elisa olhava para o céu e esperava que fosse conseguir sentir alguma coisa vendo aquelas estrelas. Ela estava há tanto tempo presa em um estado de vazio que somente olhar para as estrelas já era de grande ajuda para controlar esse ímpeto de sumir. […]

Estrela Cadente



Texto: Mariana Ferraz Paulino // Arte: Dia de Almeida Era a primeira vez em que Daniel mudava de casa, e para um pequeno indivíduo recém-habituado com determinado lócus de formação de seu caráter situacional, a corrupção espacial significava quase que a morte dos seus ainda prematuros sentidos de familiarização e […]

pequenos dizeres para Daniel – XII



Texto: Bruna Kalil // Arte: Gabriela Schirmer Mauricio Trilho o caminho das pedras pelas ruas de Paris. Passo pelo Arco do Triunfo, feminina etérea triunfante. No próximo instante, me vejo no Moulin Rouge, faço pole dance e saio de lá com ares de charuto e muito dinheiro pelas minhas partes […]

Parisiense por acaso





  – Não fossem os agrados constantes que ele me faz talvez estivesse menos desconfiada, amiga. – Outras reclamariam do contrário. – Outras são menos espertas. Laura riu ao seu lado, afogando o cinismo com um gole de café. Fazia bem aquele cinismo. Era confortável. A cada risinho daqueles os […]

Cansei de ser parva.












No quintal da casa da menina moravam um pé de pitanga, um de jabuticaba, um de limão, um pé de mamão, uma pequena horta com morangos, cebolinha, salsinha, erva doce e pimenta, muitas samambaias e plantas e arbustos rasteiros, dois cachorros e um canário. Fora os moradores oficiais, ainda tinha […]

O buraco no quintal






Fernanda estava sentada no sofá da sala da sua casa, inquieta, olhando os minutos passarem no relógio. Ela tinha costumes e uma rotina muito restrita, não ter alguém controlando seus horários fazia uma grande diferença. Era uma nova formatação, um novo arranjo que ela ainda não tinha conseguido organizar em […]

Rota de escape



Palmas das mãos suadas, muito suadas. Não importa o quanto eu seque no tecido da saia, elas continuam molhadas e frias e pegajosas. As marcas úmidas dos meus dedos já estão impressas na roupa, então minha nova toalha começou a ser o tecido verde escuro e áspero da poltrona. Queria […]

Acabou


—  Meu dia só começava de verdade quando a dona Tulipa passava correndo pela minha mesa. Era o sinal de que o dia tava nos eixos, tinha engatado mesmo. Ela gritava “Bom dia, seu Gerso” e ia lá, dar soco no botão do elevador. Ela fazia parte da minha rotina, […]

Dona Tulipa


Ficara até tarde tentando escrever, sabendo do trabalho no dia seguinte. A escrivaninha era achatada, imprópria e improdutiva, um inferno a suportar. E o quarto mesmo um inferno: suor em bicas, razão perdida, onde estava a água? Pois suava, como indigna, e não havia meios modos na maneira indignante do […]

A asa do mosquito



I’m not quite sure what we’re supposed to do / So I’ve been writing just for you (David Bowie – Letter to Hermione) — Você tem cara de quem tá indo pra Paulista! O sorriso aberto no rosto queimado de sol do taxista que seria meu fez cócegas no meu […]

Por baixo da fumaça


Eu tinha os olhos fixos na porta quando Antonia a abriu. Consegui sentir o bafo de agosto tentando confrontar o ar condicionado do café. Os olhos dela não demoraram muito para me encontrar; a ansiedade me posicionara estrategicamente dentro do campo de visão de qualquer pessoa que entrasse na loja. […]

Duas vezes mais rápido