“Capitolina – o poder das garotas”


Não sei direito como foi que descobri a Capitolina. Em tempos de internet, é difícil saber se foi alguma amiga envolvida nos primórdios da revista ou se foi em algum compartilhamento aleatório. Mas quando abri o site pela primeira vez, queria amar aquelas pessoas. Como a ex-adolescente que nunca se entendeu muito bem com as revistas que eram feitas pra mim (não estava muito preocupada com como conquistar os garotos), senti um amor instantâneo pela proposta. De lá pra cá, a Capitolina ficou ainda melhor, eu tive a chance de conhecer melhor algumas das moças envolvidas e agora elas têm um livro. Sim, um livro! O que poderia ser mais legal?

Vamos falar do livro em si: é uma coletânea de alguns dos textos publicados na revista durante o primeiro ano, junto com textos originais e dividido nos temas abordados. Temas esses que vão dos mais próximos (corpo, família, comunidade) até reflexões sobre magia e poder. São 41 escritoras acompanhadas de artes de 23 outras garotas. Sem contar algumas páginas interativas, onde leitoras mais criativas que eu poder desenhar e personalizar a própria cópia.

O que eu mais tirei do livro – assim como tiro do site toda vez que abro – foi um conteúdo que gostaria de te rlido na adolescência, mas que é legal até hoje. Reflexões sobre origens, sobre preconceitos da sociedade, sobre protestos, expectativas dos outros, a ideia de príncipe encantado, etc. Um conteúdo legal sobre artes, sobre livros, sobre filmes e séries, sobre videogames e afins. Coisas sobre as quais eu adoro falar, coisas sobre as quais minha amiga adora falar ou minha irmã mais nova. Não tem essa de “coisa de menina” que limita os assuntos, sabe? Como a gente sempre discute: mulheres falam do que elas quiserem. E ter uma iniciativa como a Capitolina, empoderadora e interessante para um público em formação é bem legal.

Ainda que eu tenha amado diversos trechos, queria fazer menções especiais a alguns textos que foram daquele tipo ainda-bem-que-isso-existe-pra-expressar-meus-sentimentos. Primeiro, o texto da Sofia sobre ter crescido na internet e como ela também faz parte de nossas vidas, “Porque a internet também é vida real”. Como a Anna Vitória já falou por aqui, a Sofia explica que as comunidades online podem ser acolhedoras e  que a ajudaram-na a se descobrir. Não podia concordar mais: sou cidadã da internet e foi por aqui que fiz alguns dos meus melhores amigos.

Outro que merece muito destaque e amor (e favorito entre todas as pessoas com quem falei sobre a versão impressa da Capitolina #muitas) é o texto da Dora e da Brena sobre Harry Potter. É sobre a importância do amor e do encanto em nossas vidas.. J.K. Rowling já diria que o amor é a magia mais poderosa. Fora que né, tem como não amar um texto sobre Harry Potter?

Eu terminei a leitura com uma sensação de identificação e aquele sentimento bom de se sentir entendida pelas migas. Assim como a Capitolina original, aquela dos olhos de ressaca, nossa curiosidade é de várias espécies, explicáveis e inexplicáveis, assim úteis como inúteis, umas graves, outras frívolas. E gostamos de saber tudo. Ainda bem que temos com quem conversar.

P.S.: O livro foi lançado na Bienal, mas também vai rolar evento em SP. Dia 17/10, na Cultura do Conjunto Nacional. Quem vamos?

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Sobre Lorena Pimentel

Paulistana que preferia ter mar, entusiasta do entusiasmo, Grifinória com medo de cachorros, defensora de orelhas pra marcar livros, não gosta de açúcar, colecionadora de instagrams com fotos de bebês, oversharer no twitter (@lorebpv) e uma eterna vontade de ter nascido Rory Gilmore.