“Brida”, Paulo Coelho


Texto: Analu Bussular // Arte: Raquel Thomé

Na maioria das vezes, quando uma pessoa de um país se destaca ao redor do mundo, é tratada como um herói nacional por seus conterrâneos. Aí então eu me pergunto: qual o nosso problema?

Paulo Coelho está na lista de mais vendidos de quase todos os aeroportos internacionais do mundo – e aqui a “elite cultural” tem orgulho de ter vergonha dele. Eu caí nessa teia. Não, não me considero elite cultural nem nada do tipo, mas meio que sempre ouvi que a obra do moço não valia a pena. Parecia que isso estava flutuando no ar ao meu redor. Eu não repetia o discurso, mas simplesmente não lia, não tinha vontade. Preconceito puro.

Recentemente a Companhia das Letras, pelo selo Paralela, relançou os livros do mago com belas capas. Parabéns aos responsáveis, porque funcionou. De repente comecei a ver gente na livraria com esses livros na mão, ao menos apreciando sua beleza, e eu fui uma dessas pessoas. Quando tive a oportunidade de receber um pra resenhar não pensei duas vezes: vou ler Paulo Coelho!

Essa pequena introdução era só pra contar em que contexto eu li Brida em menos de uma semana e terminei deliciada. O livro conta a história da menina cujo nome está no título, que saiu a pouco da adolescência e está se descobrindo bruxa. Durante a trama, ela vai contar com a ajuda de dois mestres para praticar seus dons e se integrar com o universo.

É uma história linda. Daquelas de dar quentinho no coração. É uma jornada de uma descoberta, um livro cheio de ensinamentos de como a gente deve procurar estar sempre conectado com todos os outros seres vivos existentes e com o universo, pois somos todos parte dele e precisamos dessa força. O livro fala de amor de uma maneira muito bonita (se não tivesse focado tanto em gênero teria sido perfeito, mas não se pode ter tudo) e também de como cada um de nós tem um dom no mundo a ser desenvolvido, e que só conseguimos nos sentir plenos em nossas tarefas se entendemos a real necessidade delas para o mundo.

A narrativa é delicada como poucas, e bem no estilo que me aquece o coração. Eu li Paulo Coelho, e me encantei. Como é gostoso jogar um preconceito pela janela. Mal posso esperar para ler os outros.

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analubussular@hotmail.com'

Sobre Analu

Começou a ler aos 4 anos e nunca mais parou. Hoje tem 23 anos, é formada em jornalismo, continua devorando livros e passa o dia querendo escrever.