Brasil, mostra a tua estante!


Já que o assunto é identidade, que tal falar um pouco da nossa? Qual é a nossa? A literatura brasileira, claro. Calma, calma aí, não precisa visualizar o Machado de Assis com aquele óculos e toda a barba – não é só disso que se resume a nossa prata da casa literária, a gente jura.

Se pensar em literatura brasileira já faz muito leitor habitual torcer o nariz, imagina os não tão habituais. E nem dá para sair apontando o dedo e julgando todo mundo que tem preconceito: a culpa está na nossa própria raiz.

Ultimamente parece que o sistema vem sendo culpado de tudo, mas não tem como fugir. Não tem como não colocar a culpa nele se analisarmos a relativamente baixa quantidade de leitores no país. Como querer convencer um adolescente de que ler é bacana se, aos 13, ele é obrigado a ler Dom Casmurro e Iracema?

Se eu não tivesse me deparado com Jorge Amado, aquele santo, provavelmente teria saído do ensino médio jurando que nunca mais tocava em literatura brasileira. O problema estava nas obras? Não. Estava na minha falta de maturidade. Conheço pessoas que leram Machadão aos 14 e favoritaram para a vida, mas vamos convir aqui que essa não é a regra geral, e eu lembro bem da regra geral: 40 adolescentes entediados, empurrando o livro com a barriga, fazendo prova com base em resumos e dizendo que ler era insuportável.

Nossa identidade literária é composta por todos os clássicos sim, mas também temos tantos contemporâneos! Tantos livros mais indicados para determinadas fases da vida… Eu teria tido uma formação incompleta se não tivesse, com um empurrãozinho do meu pai, descoberto a coleção Vagalume, por exemplo. Ou se a professora de português da quinta série não tivesse se animado e mandado a gente ler Pedro Bandeira.

Literatura brasileira, um lembrete, não é só aquele monte de livro amarelado e com cheiro de poeira. Ela também é recente e vem com muita coisa boa para ser explorada. Se eu posso dar exemplos? Serei sincera ao dizer que ainda não. Ainda não porque esse texto está sendo um ótimo exercício de cuspir para cima e acertar no meio da testa, e eu resolvi escrevê-lo justamente por isso: quando vi que essa edição tinha foco em identidade e literatura brasileira já cavuquei a memória pra saber o que eu poderia acrescentar sobre A Moreninha – que eu, aliás, larguei nas primeiras páginas e até hoje não tive coragem de retomar.

Além do maravilhoso projeto #leiamulheres, que tal insistirmos juntos no #leiabrasileiros? Sempre acho que sou um tanto panfletária nos textos para a Pólen, mas não consigo me impedir de fazer isso novamente agora: a síndrome do vira-lata não tá com nada e temos que nos inteirar melhor do que temos de bom por aqui!

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analubussular@hotmail.com'

Sobre Analu

Começou a ler aos 4 anos e nunca mais parou. Hoje tem 23 anos, é formada em jornalismo, continua devorando livros e passa o dia querendo escrever.

  • Ana Sousa

    Ei Analu maravilhosa. <3
    Jorge Amado, que pessoa!

    Eu acredito também que certos livros tem que ter maturidade pra ler e que se não fosse coleção Vagalume e Diana e Missão Perigosa, provavelmente teria chutado o balde.
    Até hoje acho que não tenho maturidade pra voltar em alguns clássicos, mas vivo dando uma chance atrás da outra aos brasileiros. De várias épocas e vários estilos. Se a gente não conhece não tem como falar se gosta ou não, né?

    Beijos.